Carta ao cidadão Presidente.
Creia, cidadão Presidente da República, que foi como uma facada, desferida no meu orgulhoso peito de português, que tomei conhecimento da sua confissão; de que a sua reforma não dá para cobrir suas despesas! Só lhe fica bem dizer republicanas verdades verdadinhas. Se o diz, quem sou eu para duvidar?!, é porque é assim mesmo. Aliás, vê-se bem que o cidadão presidente não tem engordado no desempenho da sua função. É porque passa dificuldades! Sim, porque não devemos duvidar de que um cidadão, Presidente da República Portuguesa, neste caso de todos os portugueses, não fala verdade.
A minha preocupação, para salvar a honra de Portugal, perante o Mundo, é tentar colaborar numa acção solidária, para evitar que o cidadão presidente vá para as filas do Banco da Fome e que todo o mundo saiba que Portugal não paga o suficiente para ter cama, mesa e roupa lavada! Não desespere. Tenha confiança na esperança de que, espontaneamente, Portugal, em peso, vai levantar-se para o ajudar. Não precisa de sair de casa. As provisões chegarão, discretamente, à cozinha. Se precisar de mesas e cadeiras é só dizer.
Só lhe peço, em troca, que não abra mais a boca. Não vá criar mais embaraços com a confissão de que ganha pouco e que Portugal é um país de tesos! Não. Conserve-se quietinho. Vá promulgando os decretos do Governo e deixe o tempo correr, que a maioria dos cidadãos abastados; os que tem mais de 200 euros de reforma, sempre lhe arranjarão algo para comer. Contudo, dentro do espírito de liberdade, conquistada pelo 25 de Abril, caso atinja o seu limite de sacrifício, até dizer basta, pode demitir-se e arranjar um lugar junto do Catroga. Quem sabe se depois aparecerá alguém que esteja disposto a ser Presidente a pagar e não sofrer o vexame de ser remunerado com uns trocados!
Esteja atento, porque no próximo peditório do Banco Alimentar, talvez haja um destinatário especial; Para Belém.
Creia que não será preciso uma estrela para guiar.
Atentamente
Silvino Taveira Machado Figueiredo
Cidadão da República Portuguesa