Ora aqui tendes o sítio!
Neste momento estão inscritos 2 - Eu e o Franco.
Esperemos que os poucos que ainda aqui vêm, ajudem a passar a palavra e por sua vez decidam inscrever-se.
Será no dia 19 deste mês de Novembro.
Concentração em frente do Mosteiro às 11H00
O Restaurante, como assinalado fica a cerca de 100 metros, na Rua Serpa Pinto, 19
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
O plano
O plano, reduzido à forma mais simples, é o seguinte:
Encontro às 11hOO em frente do Convento de Mafra.
Visita para quem esteja interessado.
Almoço no Restaurante “O Cangalho” às 13H00
Sugestões:
Todas serão consideradas!
Transporte:
Para quem vier de comboio arranjaremos solução de Sintra para Mafra e vice-versa.
Para quem viajar em auto próprio pode indicar qualquer outro ponto de encontro.
Estou, estamos, às vossas ordens!
Conversem, combinem e indiquem-me o dia que mais vos aprouver.
Nota: começo a sentir que estes nossos convívios se assemelham ao lobo ibérico – estão em vias de extinção. Espero que seja apenas uma ligeira impressão.
Abraços per tutti!
A.M.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
"Cretináceos"
Se eu acreditasse na ressurreição como algumas pessoas de quem vou lendo os comentários ou simples desabafos sobre a nossa grave situação económica, creio que, regressando a este mundo milhares de anos depois, sem ter perdido a memória, e encontrando um estado ainda mais caótico e sobretudo injusto, ainda ouviria dizer que a culpa é do Sócrates.
O Sócrates, que “fugindo” para Paris, não fez mais do que outros trânsfugas de cores muito parecidas como são os vermelho/amarelos, mas que, por cego sectarismo, não são mencionados, como se as suas omissões, os seus erros tivessem acontecido noutra galáxia.
Sei que esta gente é movida por um sectarismo primário que mesmo perante as evidências não se vai cansar tão cedo de desculpar as calinadas do seu “Chefe” lançando as culpas aos seus antecessores imediatos. Imediatos, porque existem outros, mais longínquos, que neste percurso de 36 anos, parecem ilibados da responsabilidade do estado de insolvência que paira sobre as nossas cabeças. Dos primeiros anos a culpa foi de Vasco Gonçalves e dos últimos é Sócrates.No meio, ficam mais de 30 anos em que ninguém é responsável.
Um dos problemas mais graves que é a reforma da administração pública, e podia ter sido feita ao longo deste tempo com moderação, bastando para isso que tivesse sido elaborado um plano em que as novas tecnologia fossem compensando o trabalho dos funcionários que iam passando à reforma, não foi feito, pela simples razão de não ter havido nunca entendimento dos partidos que se têm alternado no poder, quanto às reformas essenciais. Agora, quer uns, quer outros são os responsáveis pelos despedimentos massivos e acelerados na função pública, cuja única finalidade é transferir essas despesas do Estado para a Caixa geral de Aposentações como se uma e outra não dependessem do crédito externo.
Muita gente já percebeu e algumas opiniões que surpreendem pela sua origem reforçam a ideia, que o sistema está errado, e alguma coisa tem que mudar.
A teoria de que o mercado se controla a si mesmo e deve deixar-se à deriva da oferta e da procura, defendida pelos neo-liberais e seus sequazes, conduziu o mundo civilizado, assim auto-denominado, para uma situação, cuja ruptura se adivinha com consequências muito trágicas.
A sobrevalorização que estas forças deram à liberdade de expressão como ponto fundamental da Democracia, desvalorizou as outras democracias: a económica, a justiça, a saúde e a educação.
Hoje, pessoas que têm de seu e as que não têm mas almejam ter, procuram manter este statu quo.
Estão no seu direito, mas pelo Amor de Deus e seu Filho Crucificado, deixem de ser palavrosos, tanto agora como no cretáceo.
Amen!
A.M.
sábado, 15 de outubro de 2011
Os meus fantasmas
Este lugar baptizado de “Líricos do campus” tinha como finalidade, segundo a minha serôdia compreensão, a finalidade de nos “encontrarmos” entre convívios, para não nos “perdermos”.
Ao longo dos anos que temos de participação neste, mas principalmente noutros espaços, alimentámo-nos do conhecimento recíproco que, pode ter criado alguns dissabores e mal-entendidos, mas que certamente, também semeou e desenvolveu algumas amizades. Ora, as sementes precisam de sol e água para germinarem. E a amizade não precisa?
Poderia, enquanto a memória não me atraiçoa, enumerar todos os que nesta roda “cibernáutica” foram desaparecendo, por morte física ou psíquica, ou, o que é talvez mais comum… por indiferença. Mas não o vou fazer. Que cada um de nós se interrogue: onde está fulano, o que é feito de beltrano. È um exercício simples.
Este desabafo foi-me sugerido por “Rouxinol de Bernardim” que estando presente na fundação deste blogue comum, no entanto, não participa nele.
Com sua autorização transcrevo aqui o seu soneto
Camões regressou e “poetou” assim
Austeridade vem com seu caudal
De privações, de penas, dissabores
Acabou o festim em Portugal
Já não riem as vacas dos Açores...
Paraísos fiscais ficam de fora
Desfrutam de total impunidade
Portugal deste modo não melhora
É mais forte a miséria e a iniquidade.
Narizes vão crescendo em Lisboa
Mas no país só cresce a indignação
O povo mais mentiras não perdoa.
Pinóquios vamos tendo em profusão
Enganando e mentindo à gente boa
Cada qual o mais reles aldrabão...
De privações, de penas, dissabores
Acabou o festim em Portugal
Já não riem as vacas dos Açores...
Paraísos fiscais ficam de fora
Desfrutam de total impunidade
Portugal deste modo não melhora
É mais forte a miséria e a iniquidade.
Narizes vão crescendo em Lisboa
Mas no país só cresce a indignação
O povo mais mentiras não perdoa.
Pinóquios vamos tendo em profusão
Enganando e mentindo à gente boa
Cada qual o mais reles aldrabão...
Que regresse!
Obrigado,
A.M.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
E o céu vem abaixo!
Neste momento, o céu caiu em cima da cabeça de muita gente!
Ceguinhos! Ceguinhos, que ainda acreditam em bruxas e feiticeiros de meia tigela!
Pronto! Ficamos assim!
Este ano se calhar nem vai haver "caroço" para o "cumboio".
Paciência! e a coisa terminou com uma reportagem de Fátima, onde um entrevistado, acreditava numa intervenção divina para salvar os portugueses.
Agora só lá vou se for a pé!
Neste momento vou incarnar o Clóvis para ver se me safo!
A.M.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Desisto!
Hoje apetecia-me dizer mal de alguém: agarrar num gajo qualquer e esfacelar-lhe a prosápia e o ego até nem sobrar um pedacinho maior do que aqueles que saem duma 1,2,3 a trabalhar 10 segundos.
Pensei no Alberto, porque está na moda e porque acha que a gente do ”contenente” é que se endividou e os portugueses da Madeira não têm nada com isso. Ele afirma que lhe está a ser movida uma perseguição política por forças conluiadas da Maçonaria, dos comunistas, dos socialistas, da CIA e do KGB.
Mas, como estou a planear ir passar o fim do ano à Madeira, receio que o Alberto não me deixe desembarcar. Além disso ele tem obra feita e pelo tom de voz que usa nas suas contestações não arrecadou nada para si próprio. Consta, nas conversas à boca pequena, que está falido.
Depois, pensei nos arguidos do antiquíssimo caso “Casa Pia”, qualquer deles, mas achei que eles são menos culpados do que a própria Justiça que anda para aí num desatino a ver se arranja alguém que lhe afira a balança. Tirei daí o sentido.
Também considerei o nosso PM como vítima possível da minha maledicência. Mas depois de pesar muito bem a justeza da crítica, acabei por achar que o verdadeiro culpado da nossa mísera situação é o Troica, que eu não conheço, mas não deixarei de investigar na Net para lhe conhecer o perfil. Ele que se cuide!
Pois é, podia muito bem cilindrar o Sócrates. Até nem seria desajustado, dado que toda agente acha que ele é que é o verdadeiro culpado do défice que nos estrangula. Certamente até seria aplaudido de pé. O ex-primeiro deve estar escondido aí em qualquer lado, dizem que em Paris mas eu acho que ele está com os lamas no Tibet a meditar profundamente e só aguarda que os portugueses comecem todos a gritar: -Volta, Sócrates, estás perdoado! Também desisti.
Diversos nomes passaram no ecrã da minha cachimónia: O Esaltino, a Fátima, o Valentim, até mesmo o Godinho Lopes por causa daquela coisa dos transatlânticos alugados para a expo 98, ou porque não do “Barão Vermelho” que escondido naquela brumosa Londres não deixa de cumprir diariamente o seu Five o’clock tea.
Estava eu nisto quando recebo um email a pedir para assinar uma petição contra a taxa de 1,5 euros que os bancos querem lançar sobre cada levantamento no multibanco. Só não fiquei varado, ali mesmo, porque estava sozinho em casa e não havia ninguém para chamar o 112 para me oxigenar a pulmoeira. À hora do almoço avisei a minha mulher que tínhamos de voltar aos colchões de palha de milho para esconder as nossas economias pois aqueles tipos dos bancos querem-nos sonegar alguma parte, para terem, pelo menos, os mesmos lucros que no mesmo período do ano passado.
Ainda tentava restabelecer-me de mais esta desagradável e onerosa notícia quando no telejornal vejo um gajo montado numa bicicleta a pedalar sub-aquaticamente dentro de uma piscina. Com a garrafa de oxigénio às costas pedalou até bater o recorde do Guiness que era de 3 quilómetros e tal.
Boa! – disse eu.
E não me lembro de mais nada.
Acordei deitado numa cama e a ver tudo branco à minha volta.
O tipo que se debruçou sobre mim também estava vestido de branco.
Vi logo que não estava no céu pois não tinha visto aquela luzinha que alguns privilegiados dizem que vêem quando voltam para trás a meio da viagem.
- Mas como é que eu vim aqui parar? – Perguntei.
- Onde é que eu estou?
- Tenha calma, está tudo sob controlo. Está no hospital do Telhal.
Pronto, pensei eu antes de me passar outra vez, chegou o dia há tanto tempo anunciado:
Os malucos estão a meter todos os racionais no manicómio.
A.M.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Vai chover ferro!
Eles dizem que vai cair do céu uma máquina que andava a palpitar sobre os buracos do ozónio e de forma algo incontrolável. Dizem que a queda se vai dar no dia 26 deste mês de setembro que, embora já não tenha grande significado para mim, é o dia mundial da contraceção, celebrado por uns e estigmatizado por outros. O jornal informava, suponho que para nos acalmar, que a possibilidade de alguém levar com ele na tola era de 1 em 3.200, ou seja 0,05 por cento. Claro que se vai desintegrar e se as peças maiores podem matar alguém, as porcas e os parafusos vão certamente fazer alguns galos. Perante esta percentagem pus-me a pensar como é possível que os ativos apostadores do “euro milhões”, se arrisquem a sair à rua nesse dia. Sim, porque têm incomensuravelmente mais possibilidades de levarem com uma peça (ver fotografia) no toutiço do que serem premiados naquele jogo. Eu vou sair, mas por causa do azar que há anos não me larga, vou levar na cabeça um velho capacete da primeira grande guerra que um meu antepassado me ofereceu há muitos anos. A máscara de gás é que já se estragou. A.M.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Involução
Crise leva empresas a adiantar salários e a conceder empréstimos a trabalhadores – a notícia.
Aparentemente trata-se de um acto humanitário.
Quem terá coragem de criticar tal atitude quando ela se destina a ajudar um chefe de família que já perdeu o crédito no talho e na mercearia?
Ninguém. Nem eu tão pouco.
Contudo não posso deixar de me emocionar com situações como esta.
Emocionar e revoltar.
Vendidos ao desbarato alguns bens acumulado e empenhados os anéis, o relógio de cuco e os brincos que oferecera à mulher num dia de aniversário, o trabalhador vê-se, por fim, obrigado a empenhar a única coisa que lhe resta: A FORÇA DE TRABALHO.
Talvez nunca mais se possa desempenhar e fique toda a vida amarrado para pagar com juros tal empréstimo.
Aparentemente trata-se de um acto humanitário.
Quem terá coragem de criticar tal atitude quando ela se destina a ajudar um chefe de família que já perdeu o crédito no talho e na mercearia?
Ninguém. Nem eu tão pouco.
Contudo não posso deixar de me emocionar com situações como esta.
Emocionar e revoltar.
Vendidos ao desbarato alguns bens acumulado e empenhados os anéis, o relógio de cuco e os brincos que oferecera à mulher num dia de aniversário, o trabalhador vê-se, por fim, obrigado a empenhar a única coisa que lhe resta: A FORÇA DE TRABALHO.
Talvez nunca mais se possa desempenhar e fique toda a vida amarrado para pagar com juros tal empréstimo.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Dar de beber a quem tem sede.
Depois que a recomendação “dar de comer a quem tem fome” foi para o brejo devido à preocupação dos bem alimentados em defender a sua farta mesa das benesses que o poder automaticamente lhes confere, entrou-se numa espiral, que com a força dum tornado empurra uns para cima e outros para baixo.
Conheci uma mulher que esperou que a filha chegasse do emprego para ir ao mentiroso empenhar os sapatos que trazia calçados para a família comer. Um velho colega da escola, possivelmente já falecido, chorou copiosamente, não por ter chumbado na 3ª classe, mas porque perdeu o direito a um ovo estrelado que a mãe lhe prometera se ficasse bem no exame. Sei de muitas famílias que viviam a crédito na esperança de saldarem as suas dívidas no fim do mês e acabavam por vender ao desbarato os parcos bens que possuíam.
Sete fronhas e um lençol
Três camisas do enxoval
Que a freguesa deu ao rol
Havia outros róis, meus caros jovens! Também havia o rol onde nas mercearias se registava o fiado. - Ponha na conta – diziam. No fim do mês, se as coisas corriam mal, tinham que enfrentar o ar carrancudo do merceeiro para se desculpar: - O meu homem está desempregado… Se pudesse pagar para o mês que vem…?
Hoje é tudo muito mais fino e sofisticado. Existem umas entidades sem rosto que nos telefonam a desoras para nos oferecer crédito. - Já tenho um de 500 euros, não preciso de mais. - Mas as condições… o tempo… - Porra, já disse que não quero mais crédito nenhum! Chiça!
Depois, mês a mês, a conta crescia, e o candidato a cacique, lá ficava com mais alguns acres na sacola.
Agora, que os anéis, os colares e porque não os próprios sapatos são vendidos ao desbarato na vã tentativa de prolongar a vida de um estado agonizante, que, como já li algures, procura “suster a insustentabilidade”, transfigura-se-me o semblante, fico com medo de sair à rua e assustar os passantes.
As águas?
Também vão vender as águas?
Mas eu sempre as paguei, com mil diabos! Pago à câmara não sei quanto por metro quadrado; quando olho para a factura fico petrificado. No mês passado acrescentaram à conta mais vinte e tal euros de saneamento. Não estão a falar da água do Luso, pois não? Porque essa já eu pago no super e creio que já está privatizada. Será alguma empresa com capitais alemães?
Afinal que águas é que vão privatizar?
Será a da chuva?
Será a do mar salgado?
Já não tenho muitos anos de vida, mas começo a pensar que se calhar ainda vou assistir à privatização do ar a preços variáveis em função da sua pureza. Ou seja, o ar da Serra de Sintra custará o dobro do ar de Lisboa, por causa dos gases. Uns e outros.
Ser-nos-á montado um chip individual que contabilizará o consumo da energia que usamos para purificar o nosso rico sangue.
Respirar devagarinho, não fazer inalações muito profundas, como por exemplo soltar suspiros muito prolongados que conduzem à subsequente inspiração de oxigénio para ocupar o espaço pulmonar entretanto vago, é aconselhável.
O que certamente já não vou ter oportunidade de assistir é ao dia em que a 10 de Julho será prestada homenagem póstuma a todos aqueles que morreram com falta de ar.
A Pátria reconhece, agradecida.
Água fria da ribeira
Água fria que o sol aqueceu…
A.M.
PS - Imagem recolhida em: http://biosabermais.files.wordpress.com/2008/03/agua.jpg
Conheci uma mulher que esperou que a filha chegasse do emprego para ir ao mentiroso empenhar os sapatos que trazia calçados para a família comer. Um velho colega da escola, possivelmente já falecido, chorou copiosamente, não por ter chumbado na 3ª classe, mas porque perdeu o direito a um ovo estrelado que a mãe lhe prometera se ficasse bem no exame. Sei de muitas famílias que viviam a crédito na esperança de saldarem as suas dívidas no fim do mês e acabavam por vender ao desbarato os parcos bens que possuíam.
Sete fronhas e um lençol
Três camisas do enxoval
Que a freguesa deu ao rol
Havia outros róis, meus caros jovens! Também havia o rol onde nas mercearias se registava o fiado. - Ponha na conta – diziam. No fim do mês, se as coisas corriam mal, tinham que enfrentar o ar carrancudo do merceeiro para se desculpar: - O meu homem está desempregado… Se pudesse pagar para o mês que vem…?
Hoje é tudo muito mais fino e sofisticado. Existem umas entidades sem rosto que nos telefonam a desoras para nos oferecer crédito. - Já tenho um de 500 euros, não preciso de mais. - Mas as condições… o tempo… - Porra, já disse que não quero mais crédito nenhum! Chiça!
Depois, mês a mês, a conta crescia, e o candidato a cacique, lá ficava com mais alguns acres na sacola.
Agora, que os anéis, os colares e porque não os próprios sapatos são vendidos ao desbarato na vã tentativa de prolongar a vida de um estado agonizante, que, como já li algures, procura “suster a insustentabilidade”, transfigura-se-me o semblante, fico com medo de sair à rua e assustar os passantes.
As águas?
Também vão vender as águas?
Mas eu sempre as paguei, com mil diabos! Pago à câmara não sei quanto por metro quadrado; quando olho para a factura fico petrificado. No mês passado acrescentaram à conta mais vinte e tal euros de saneamento. Não estão a falar da água do Luso, pois não? Porque essa já eu pago no super e creio que já está privatizada. Será alguma empresa com capitais alemães?
Afinal que águas é que vão privatizar?
Será a da chuva?
Será a do mar salgado?
Já não tenho muitos anos de vida, mas começo a pensar que se calhar ainda vou assistir à privatização do ar a preços variáveis em função da sua pureza. Ou seja, o ar da Serra de Sintra custará o dobro do ar de Lisboa, por causa dos gases. Uns e outros.
Ser-nos-á montado um chip individual que contabilizará o consumo da energia que usamos para purificar o nosso rico sangue.
Respirar devagarinho, não fazer inalações muito profundas, como por exemplo soltar suspiros muito prolongados que conduzem à subsequente inspiração de oxigénio para ocupar o espaço pulmonar entretanto vago, é aconselhável.
O que certamente já não vou ter oportunidade de assistir é ao dia em que a 10 de Julho será prestada homenagem póstuma a todos aqueles que morreram com falta de ar.
A Pátria reconhece, agradecida.
Água fria da ribeira
Água fria que o sol aqueceu…
A.M.
PS - Imagem recolhida em: http://biosabermais.files.wordpress.com/2008/03/agua.jpg
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Esquerdo, direito... um, dois...
Quando se discutem problemas de carácter político e se declara que determinada medida é de direita ou de esquerda há sempre alguém que em tom jocoso pergunta:- Eh pá, o que é isso de direita e esquerda?
Podia ser um tarata confundindo a mão direita com a mão esquerda, mas normalmente não é. São pessoas que conhecem muito bem onde nasceu a ideia de designar as forças políticas de esquerda ou de direita em função das ideias e propostas que fazem para solucionar os problemas da sociedade em geral.
Podemos especular um pouco sobre este assunto.
Se duas das forças (o clero e a nobreza) que compunham os Estados Gerais, em finais do século XVIII em França, se sentavam do lado direito do rei e a terceira (a população que restava) à sua esquerda, a verdade é que para quem assiste de frente para tal representação vê o clero e a nobreza do lado esquerdo do rei e os restantes do lado direito. Se a perspectiva escolhida tivesse sido a da assistência é evidente que quem hoje se diz de esquerda seria de direita ou vice-versa.
O que ninguém certamente contestará é a existência de interesses antagónicos entre os diversos extractos da população de qualquer país. Propositadamente não apelido esses grupos de classes já que há quem não goste e dizem que isso já não existe. O que mudou foi a sua composição, principalmente aquela que se sentava à esquerda do rei e era composta por banqueiros, médicos, comerciantes, sapateiros, militares, artesãos, etc., etc. Destes, muitos passaram para o lado direito do rei. Porquê? Porque passaram a ter interesses idênticos aos que tinham o clero e a nobreza, os quais por sua vez perderam alguns dos privilégios que tinham.
Lembrei-me de falar deste assunto a propósito duma notícia lida hoje num matutino:
“O presidente Obama não deve precisar de mais autorizações neste mandato. Impostos dos mais ricos devem ficar fora do esforço.”
Sobre quem vai recair o encargo de equilibrar as contas públicas?
Se ao menos os banqueiros ainda hoje se sentassem ao lado esquerdo do rei…!?
A.M.
A.M.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Pinóquios
quando se mente menos, dado que nesse dia as mentiras são falsas.
Exemplificando: Se Passos Coelho nos tivesse informado que era um disparate “mexer” nas pensões no dia 1 de Abril, teria falado verdade.
Idem para todos os políticos e governantes que ao longo dos anos nos têm mentido descaradamente até chegarmos à situação em que nos encontramos.
Se depois de ser eleito, Passos Coelho tivesse afirmado:
- “Não me desculpo com a governação anterior a não ser que encontre contas erradas” -seria o silogismo perfeito.
Vem isto a propósito da declaração hoje divulgada, em que o PM se queixa do buraco nas contas que o seu Governo encontrou.
Se era admissível não estarem certas as contas, teria sido preferível não ter afirmado por diversas vezes não se desculpar com o Governo anterior.
Os Jornais também não nos ajudam a escrutinar a verdade.
O Diário de Notícias informa em título: «Passos diz que encontrou um "desvio colossal" nas contas.»
No seguimento da mesma notícia já se escreve: «o seu Governo encontrou um "desvio colossal em relação às metas estabelecidas" para as contas públicas.»
Parece lógico que interpretemos “ Desvio colossal em relação às metas estabelecidas” como a frase dita por Passos Coelho.
Qual a razão/objectivo de colocar no título “desvio colossal” nas contas?
Agora agradecia que me explicassem que “metas estabelecidas” são estas.
A.M.
Nota: os meus agradecimentos à WEHAVEKAOS pelos bonecos
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Por qué no te callas?
Jornal das 20 Horas.
Sousa Tavares acaba de nos informar que Passos Coelho é como uma melancia - não se sabe o que está lá dentro.
Como ribatejano que lidou com melões e também com melancias sugiro que o calem.
Nota: Segue foto de melancia calada.
A.M.
Sousa Tavares acaba de nos informar que Passos Coelho é como uma melancia - não se sabe o que está lá dentro.
Como ribatejano que lidou com melões e também com melancias sugiro que o calem.
Nota: Segue foto de melancia calada.
A.M.
sábado, 2 de julho de 2011
Veja a diferença
No espaço reservado ao correio dos leitores leio este preâmbulo de um comentário ali feito:
“Não estou formalmente nem afectivamente ligado a qualquer partido político.”
Creio que a finalidade primeira, senão única, é abonar a “sentença” que vai ser proferida.
A opinião de um independente tem muito mais peso, seja qual for o partido em que vai “malhar”. Né?
No caso em apreço, apenas se refere aos partidos que se têm alternado no poder, defendendo um e atacando o outro.
A certa altura referindo-se a um ex-ministro do PS, elucida:
“Esqueceu-se do (des)Governo do qual fez parte assinou um acordo de austeridade com a troika?!...”
Este tipo de artifício é muito usado nos meios políticos.
Por exemplo:
Quando o PS ganha as eleições não deixa de se desculpar com o estado em que o PSD deixou o país para justificar as medidas gravosas que é obrigado a tomar.
Por sua vez o PSD tem, habitualmente, feito o mesmo.
Desta vez virou-se o disco:
Em vez das desculpas com o estado em que o PS deixou as contas públicas dizem:
- Não nos vamos desculpar com a situação que viemos encontrar.
O que pensa a populaça?
Assim, sim! Assim é que é! Nada de desculpas.
Toca a trabalhar!
A.M.
“Não estou formalmente nem afectivamente ligado a qualquer partido político.”
Creio que a finalidade primeira, senão única, é abonar a “sentença” que vai ser proferida.
A opinião de um independente tem muito mais peso, seja qual for o partido em que vai “malhar”. Né?
No caso em apreço, apenas se refere aos partidos que se têm alternado no poder, defendendo um e atacando o outro.
A certa altura referindo-se a um ex-ministro do PS, elucida:
“Esqueceu-se do (des)Governo do qual fez parte assinou um acordo de austeridade com a troika?!...”
Este tipo de artifício é muito usado nos meios políticos.
Por exemplo:
Quando o PS ganha as eleições não deixa de se desculpar com o estado em que o PSD deixou o país para justificar as medidas gravosas que é obrigado a tomar.
Por sua vez o PSD tem, habitualmente, feito o mesmo.
Desta vez virou-se o disco:
Em vez das desculpas com o estado em que o PS deixou as contas públicas dizem:
- Não nos vamos desculpar com a situação que viemos encontrar.
O que pensa a populaça?
Assim, sim! Assim é que é! Nada de desculpas.
Toca a trabalhar!
A.M.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Volta a falar-se do Diabo!
Volta a falar-se do diabo!
O Mafarrico era um querubim antes de se ter rebelado contra Deus.
Nunca foi levado em linha de conta se essa atitude não teria sido um mal entendido com algum Serafim, que despeitado o classificou abaixo da média para julgamento do Conselho Divino, impedindo-o de progredir na carreira. Este assunto devia ser estudado pelos teólogos oficiais dos representantes de Deus neste mundo, que, para ser de cão, já lhe falta muito pouco.
Então e os disfarces?
Como ir à missa dominical, ter o quadro da Ceia do Senhor na sala de jantar, a bíblia na mesinha de cabeceira e as benzeduras antes das refeições, provarão porventura que não estamos perante um Belzebu no último ano da Escola Superior de Teatro?
Ó pra mim! Aqui antecedido por representantes do mal, tal como foi recriado, com forma humana, para que ninguém duvidasse que ele poderia ser o nosso vizinho, a mulher da hortaliça, o carteiro, o nosso amigo de infância... ou eu mesmo.
Talvez seja!
E olhando para Sócrates a ser julgado pela má gestão dos dinheiros públicos (como já se propõe numa petição a circular na Net) não me admiraria que o acusado, olhando à sua volta, se interrogasse:
- Então qu’é dele os outros?
A.M.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Ainda sobre as declarações de Ana Gomes sobre Paulo Portas, Pedro de Pezarat Correia escreve no DN.
Ana Gomes provocou uma tempestade mediática com as suas declarações sobre Paulo Portas. Considero muito Ana Gomes, uma mulher de causas, frontal, corajosa, diplomata com muito relevantes serviços prestados a Portugal e à Humanidade. Confesso que me escapa alguma da sua argumentação contra Paulo Portas e não alcanço a invocação do exemplo de Strauss-Kahn. Mas estou com ela na sua conclusão: Paulo Portas não deve ser ministro na República Portuguesa. Partilho inteiramente a conclusão ainda que através de diferentes premissas.
PAULO PORTAS MINISTRO?
Paulo Portas, enquanto ministro da Defesa Nacional de anterior governo, mentiu deliberadamente aos portugueses sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque, que serviram de pretexto para a guerra de agressão anglo-americana desencadeada em 2003. Sublinho o deliberadamente porque, não há muito tempo, num frente-a-frente televisivo, salvo erro na SIC-Notícias, a deputada do CDS Teresa Caeiro mostrou-se muito ofendida por Alfredo Barroso se ter referido a este caso exactamente nesses termos. A verdade é que Paulo Portas, regressado de uma visita de Estado aos EUA, declarou à comunicação social que “vira provas insofismáveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque” (cito de cor mas as palavras foram muito aproximadamente estas). Ele não afirmou que lhe tinham dito que essas provas existiam. Não. Garantiu que vira as provas. Ora, como as armas não existiam logo as provas também não, Portas mentiu deliberadamente. E mentiu com dolo, visto que a mentira visava justificar o envolvimento de Portugal naquela guerra perversa e que se traduziu num desastre estratégico. A tese de que afinal Portas foi enganado não colhe. É a segunda mentira. Portas não foi enganado, enganou. Um político que usa assim, fraudulentamente, o seu cargo de Estado, não deve voltar a ser ministro.
Mas já não é a primeira vez que esgrimo argumentos pelo seu impedimento para funções ministeriais. Em 12 de Abril de 2002 publiquei um artigo no Diário de Notícias em que denunciava o insulto de Paulo Portas à Instituição Militar, quando classificou a morte em combate de Jonas Savimbi como um “assassinato”. Note-se que a UNITA assumiu claramente – e como tal fazendo o elogio do seu líder –, a sua morte em combate. Portas viria pouco depois dessas declarações a ser nomeado ministro e, por isso, escrevi naquele texto: «O que se estranha, porque é grave, é que o autor de tal disparate tenha sido, posteriormente, nomeado ministro da Defesa Nacional, que tutela as Forças Armadas. Para o actual ministro da Defesa Nacional, baixas em combate, de elementos combatentes, particularmente de chefes destacados, fardados e militarmente enquadrados, num cenário e teatro de guerra, em confronto com militares inimigos, também fardados e enquadrados, constituem assassinatos. Os militares portugueses sabem que, hoje, se forem enviados para cenários de guerra […] onde eventualmente se empenhem em acções que provoquem baixas, podem vir a ser considerados, pelo ministro de que dependem, como tendo participado em assassinatos. Os militares portugueses sabem que hoje, o ministro da tutela, considera as Forças Armadas uma instituição de assassinos potenciais». Mantenho integralmente o que então escrevi.
Um homem que, com tanta leviandade, mente e aborda assuntos fundamentais de Estado, carece de dimensão ética para ser ministro da República. Lamentavelmente já o foi uma vez. Se voltar a sê-lo, como cidadão sentir-me-ei ofendido. Como militar participante no 25 de Abril, acto fundador do regime democrático vigente, sentir-me-ei traído.
Junho de 2011-06-13
PEDRO DE PEZARAT CORREIA
Nota: a caricatura foi colhida no blogue marioteixeiracomics.blogspot.com.
Nota: a caricatura foi colhida no blogue marioteixeiracomics.blogspot.com.
domingo, 12 de junho de 2011
A razão das coisas
Um espaço entalado entre efígies repetitivas de Cristo é preenchido sistemática e metodicamente, por ataques a Sócrates e aos seus companheiros mais próximos, feitos de uma forma violenta, desumana e tão perversa que, embora nunca tenha votado PS, condeno com veemência.
Por uma questão de formação sou incapaz de insultar alguém da forma torpe e insidiosa que ali, naquele religioso espaço, se pratica quase diariamente. É como se o diabo à solta tivesse ocupado a área sem qualquer temor e respeito pela lateral vigilância e não permitisse o mínimo acto de indulgência ou de humanidade. Como é evidente não acredito em Deus e tão pouco no Diabo, a não ser aqueles, um e outro, que vivem no interior de cada um de nós e determinam a nossa maneira de estar na vida.
Naquele espaço, Ana Gomes é acusada de ter ligado Paulo Portas aos meios de prostituição masculina. Procurei com afinco encontrar em diversos lugares as declarações de Ana Gomes em que tal acusação tivesse sido, pelo menos, indiciada.
Não encontrei.
Parece, segundo li algures, que o “Paulinho das Feiras” como é carinhosamente reconhecido, encarregou Garcia Pereira de analisar as declarações de Ana Gomes no sentido de encontrar, ou não, alguma coisa que justificasse elaborar um processo contra aquela senhora.
Talvez o autor possa dar uma ajuda ao Garcia.
É pena que o nível linguístico, o sarcasmo e a ironia inteligente, a surpresa constante pela terminologia usada e por vezes reinventada e transformada sirvam para prestar tal serviço.
Não me importa a quem. Só condeno o método.
Com alguma amizade, apesar de tudo.
A.M.
Por uma questão de formação sou incapaz de insultar alguém da forma torpe e insidiosa que ali, naquele religioso espaço, se pratica quase diariamente. É como se o diabo à solta tivesse ocupado a área sem qualquer temor e respeito pela lateral vigilância e não permitisse o mínimo acto de indulgência ou de humanidade. Como é evidente não acredito em Deus e tão pouco no Diabo, a não ser aqueles, um e outro, que vivem no interior de cada um de nós e determinam a nossa maneira de estar na vida.
Naquele espaço, Ana Gomes é acusada de ter ligado Paulo Portas aos meios de prostituição masculina. Procurei com afinco encontrar em diversos lugares as declarações de Ana Gomes em que tal acusação tivesse sido, pelo menos, indiciada.
Não encontrei.
Parece, segundo li algures, que o “Paulinho das Feiras” como é carinhosamente reconhecido, encarregou Garcia Pereira de analisar as declarações de Ana Gomes no sentido de encontrar, ou não, alguma coisa que justificasse elaborar um processo contra aquela senhora.
Talvez o autor possa dar uma ajuda ao Garcia.
É pena que o nível linguístico, o sarcasmo e a ironia inteligente, a surpresa constante pela terminologia usada e por vezes reinventada e transformada sirvam para prestar tal serviço.
Não me importa a quem. Só condeno o método.
Com alguma amizade, apesar de tudo.
A.M.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Da Nação
No próximo dia 10 terá lugar nesta terra, que alguns de vós já conheceis, uma exposição cuja temática é sucintamente descrita no convite que aqui publico.
Como é evidente estarei presente e considero convidados, todos os amigos que se disponham a viajar até estas paragens já conhecida de alguns de vós.
Se aparecerem mais cedo poderemos desfrutar de um almoço em local aprazível à beira Tejo.
Um grande abraço para todos, A.M.
Um grande abraço para todos, A.M.
sábado, 30 de abril de 2011
Texto roubado do blogue do Mata... ah ah ah
Há dias fui espreitar ao nosso velhííííííssimo “Blogues do Leitor” só para ver se já tinham dado cumprimento à remodelação anunciada, facto para o qual pedem a nossa atenção diária. Continua tudo na mesma. O prazo de um mês que nos deram para retirar os textos, se assim o entendêssemos, também não se justificava. No meu caso, pelo menos, continua tudo lá.
Foi por isso que recordei aquele período em que travámos a guerra com o conhecido protetor de D. Teresa Peixoto, que tinha a mania que era espingarda de repetição.
Até me deu para começar um diário:
Solidão, solidão.
Depois de uma noitada a copiar textos, cheios de teias de aranha e de verdete, acorda já tarde.
Com os olhos enramelados e a baba seca na fissura do lado direito dos beiços, senta-se logo em frente do PC. No sábado é que é dia de tomar banho – fala para a gata que preguiçosamente lhe roça o rabo pelas canelas.
- Ah, ele é isso? Apanharam-me a dormir e empurraram-me para a rua?
Espera aí que já vão levar para tabaco - vocifera entre dentes.
Às 14H35 com os olhos raiados de sangue e 140 pulsações por minuto, ainda copia, recopia, reproduz e transcreve aquela coisa que escreveu há três anos, num dia em que o seu estro, quase sempre arredio, estava com predisposição para colaborar.
Continua.
Solidão, solidão.
São três horas da tarde e ainda existem dois comentários do inimigo no painel superior. Do inferior já toda a gente foi escorraçada.
Só mais um pequeno esforço e fica a obra completa.
O ato, pelo ininterrupto treino diário, já é automático, quase reflexo. Deste modo consegue ocupar a mente, planeando novas estratégias.
- Esta gentalha não merece a mínima consideração. É uma malandragem que não tem nada que fazer e vem para aqui bater cigarro só para me chatear.
- Pronto, já está! Assoem-se a este guardanapo.
Continua
Só então vai à “casinha” fazer as necessidades. Enquanto está sentado aproveita para ler “O Seringador”.
Nas páginas da astrologia, no dia dos fiéis defuntos, encontra um pensamento que o comove:
“As regiões traiçoeiras e inexploradas do mundo não se encontram nos continentes ou nos mares; estão na mente e nos corações dos homens”.
Vou usar esta próxima citação para o ano, quando voltar a escrever qualquer coisa de novo – pensou. Cuidadosamente recortou aquele pedaço com a tesourinha de cortar os pelos do nariz e guardou-o no bolso superior do pijama.
Limpou o rabo.
Continua
Meia hora depois, após ter aquecido e comido um ovo estrelado que tinha guardado no frigorífico e bebido meia gaiola de tinto dirigiu-se ao Jardim do Monte Tadeu, de que Portugal inteiro já ouviu falar por causa do ostracismo a que o Sr. Presidente da Câmara votou aquela freguesia da mui nobre cidade do Porto. Queria ver com os seus próprios olhos o pinheirinho de Natal, que, coitadinho, não solta um queixume por se encontrar ao relento e tem crescido a olhos visto. Sentou-se no banco em frente e ficou a mirá-lo, enternecido. Enxugou uma furtiva lágrima com a manga do casaco.
A voz de Pavarotti soou ao longe:
Una furtiva lagrima
Negli occhi suoi spunto:
Quelle festosee giovani
Invidiar sembro.
Che piu cercando io vo?
M'ama, lo vedo.
Un solo instante i palpiti
Del suo bel cor sentir! Continua
Acordou daquele encantamento ao ouvir uma voz:
- Muito boa tarde, Sr. Presidente da Comissão de Moradores.
- Olá, como vai, Sra. D. Teresa Peixoto? Como vai esse pé?
- Qual pé?
- O esquerdo, que partiu por causa dos buracos do empedrado.
- Já foi há tanto tempo que já nem me lembrava.
- Pois, pois, mas convém não esquecer porque a calçada ainda está cheia de buracos e convém pressionar o Rui Rio. Esse pezinho partido deu-nos muito jeito.
- Sim, mas… O que eu lhe queria pedir era que mandasse arrancar o pinheiro. Moro ali mesmo em frente e não consigo dormir durante toda a noite com o barulho do pinheiro a crescer.
Solidão, solidão (continuação)
- O quê? Ah, isso não! Peça-me tudo, mas que arranque o pinheirinho é que não pode ser. Venho visitá-lo todos os dias, há nove anos que o alimento, falo com ele como se fosse meu filho, delicio-me a olhar os seus rebentos de verde clarinho e até já o vacinei contra o nemátodo. O mais que posso fazer é pedir ao Rui Rio que mande colocar aqui daqueles painéis acústicos que se colocam à beira das auto-estradas para proteger as casas próximas do barulho dos motores.
Nesta altura, já se tinha posto de pé, e procurava uma saída airosa para cavar dali para fora. Com a desculpa de que ainda tinha de ir acabar o projecto de um jardim modelo encomendado pela freguesia de Ranholas.
Enquanto se afastava, em passo acelerado e suspeitosamente saltitante ainda resmungava:
- Ora esta… arrancar o meu pinheiro. Onde já se viu um desplante destes?
Continua
Solidão, solidão
Como de costume hoje acordou tarde. Passava da uma da tarde.
Correu para o seu adorado PC e nem foi ver as notícias.
Creio mesmo que nunca desliga o equipamento e tem a página dos Blogues do Leitor permanentemente aberta.
Ficou siderado pois viu logo que os seus extraordinários artigos se tinham esvaído pelo fundo da página, empurrados por um madrugador que acordou às 7 da matina.
Toca a enfiá-los outra vez no lugar. Ora deixa cá ver… 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 , 8 , 9 e 10, pronto já chegam!
Satisfeito com a sua primeira obra do dia, foi à casa de banho lavar os olhos, com a ponta dos dedos. Com um cotonete tirou algum serum dos ouvidos.
Despiu o pijama rosa choque, enfiou as ceroulas de perneiras compridas não sem antes reparar que já estavam um pouco sujas. Antes de calçar as peúgas deu-lhes uma cheiradela. Amanhã é que é dia de barrela – conformou-se.
Antes de sair para a rua foi espreitar o Blogues do Leitor.
Sorriu, vaidoso com o resultado do seu trabalho.
A.M.
Este texto obedece ao novo acordo ortográfico
Foi por isso que recordei aquele período em que travámos a guerra com o conhecido protetor de D. Teresa Peixoto, que tinha a mania que era espingarda de repetição.
Até me deu para começar um diário:
Solidão, solidão.
Depois de uma noitada a copiar textos, cheios de teias de aranha e de verdete, acorda já tarde.
Com os olhos enramelados e a baba seca na fissura do lado direito dos beiços, senta-se logo em frente do PC. No sábado é que é dia de tomar banho – fala para a gata que preguiçosamente lhe roça o rabo pelas canelas.
- Ah, ele é isso? Apanharam-me a dormir e empurraram-me para a rua?
Espera aí que já vão levar para tabaco - vocifera entre dentes.
Às 14H35 com os olhos raiados de sangue e 140 pulsações por minuto, ainda copia, recopia, reproduz e transcreve aquela coisa que escreveu há três anos, num dia em que o seu estro, quase sempre arredio, estava com predisposição para colaborar.
Continua.
Solidão, solidão.
São três horas da tarde e ainda existem dois comentários do inimigo no painel superior. Do inferior já toda a gente foi escorraçada.
Só mais um pequeno esforço e fica a obra completa.
O ato, pelo ininterrupto treino diário, já é automático, quase reflexo. Deste modo consegue ocupar a mente, planeando novas estratégias.
- Esta gentalha não merece a mínima consideração. É uma malandragem que não tem nada que fazer e vem para aqui bater cigarro só para me chatear.
- Pronto, já está! Assoem-se a este guardanapo.
Continua
Só então vai à “casinha” fazer as necessidades. Enquanto está sentado aproveita para ler “O Seringador”.
Nas páginas da astrologia, no dia dos fiéis defuntos, encontra um pensamento que o comove:
“As regiões traiçoeiras e inexploradas do mundo não se encontram nos continentes ou nos mares; estão na mente e nos corações dos homens”.
Vou usar esta próxima citação para o ano, quando voltar a escrever qualquer coisa de novo – pensou. Cuidadosamente recortou aquele pedaço com a tesourinha de cortar os pelos do nariz e guardou-o no bolso superior do pijama.
Limpou o rabo.
Continua
Meia hora depois, após ter aquecido e comido um ovo estrelado que tinha guardado no frigorífico e bebido meia gaiola de tinto dirigiu-se ao Jardim do Monte Tadeu, de que Portugal inteiro já ouviu falar por causa do ostracismo a que o Sr. Presidente da Câmara votou aquela freguesia da mui nobre cidade do Porto. Queria ver com os seus próprios olhos o pinheirinho de Natal, que, coitadinho, não solta um queixume por se encontrar ao relento e tem crescido a olhos visto. Sentou-se no banco em frente e ficou a mirá-lo, enternecido. Enxugou uma furtiva lágrima com a manga do casaco.
A voz de Pavarotti soou ao longe:
Una furtiva lagrima
Negli occhi suoi spunto:
Quelle festosee giovani
Invidiar sembro.
Che piu cercando io vo?
M'ama, lo vedo.
Un solo instante i palpiti
Del suo bel cor sentir! Continua
Acordou daquele encantamento ao ouvir uma voz:
- Muito boa tarde, Sr. Presidente da Comissão de Moradores.
- Olá, como vai, Sra. D. Teresa Peixoto? Como vai esse pé?
- Qual pé?
- O esquerdo, que partiu por causa dos buracos do empedrado.
- Já foi há tanto tempo que já nem me lembrava.
- Pois, pois, mas convém não esquecer porque a calçada ainda está cheia de buracos e convém pressionar o Rui Rio. Esse pezinho partido deu-nos muito jeito.
- Sim, mas… O que eu lhe queria pedir era que mandasse arrancar o pinheiro. Moro ali mesmo em frente e não consigo dormir durante toda a noite com o barulho do pinheiro a crescer.
Solidão, solidão (continuação)
- O quê? Ah, isso não! Peça-me tudo, mas que arranque o pinheirinho é que não pode ser. Venho visitá-lo todos os dias, há nove anos que o alimento, falo com ele como se fosse meu filho, delicio-me a olhar os seus rebentos de verde clarinho e até já o vacinei contra o nemátodo. O mais que posso fazer é pedir ao Rui Rio que mande colocar aqui daqueles painéis acústicos que se colocam à beira das auto-estradas para proteger as casas próximas do barulho dos motores.
Nesta altura, já se tinha posto de pé, e procurava uma saída airosa para cavar dali para fora. Com a desculpa de que ainda tinha de ir acabar o projecto de um jardim modelo encomendado pela freguesia de Ranholas.
Enquanto se afastava, em passo acelerado e suspeitosamente saltitante ainda resmungava:
- Ora esta… arrancar o meu pinheiro. Onde já se viu um desplante destes?
Continua
Solidão, solidão
Como de costume hoje acordou tarde. Passava da uma da tarde.
Correu para o seu adorado PC e nem foi ver as notícias.
Creio mesmo que nunca desliga o equipamento e tem a página dos Blogues do Leitor permanentemente aberta.
Ficou siderado pois viu logo que os seus extraordinários artigos se tinham esvaído pelo fundo da página, empurrados por um madrugador que acordou às 7 da matina.
Toca a enfiá-los outra vez no lugar. Ora deixa cá ver… 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 , 8 , 9 e 10, pronto já chegam!
Satisfeito com a sua primeira obra do dia, foi à casa de banho lavar os olhos, com a ponta dos dedos. Com um cotonete tirou algum serum dos ouvidos.
Despiu o pijama rosa choque, enfiou as ceroulas de perneiras compridas não sem antes reparar que já estavam um pouco sujas. Antes de calçar as peúgas deu-lhes uma cheiradela. Amanhã é que é dia de barrela – conformou-se.
Antes de sair para a rua foi espreitar o Blogues do Leitor.
Sorriu, vaidoso com o resultado do seu trabalho.
A.M.
Este texto obedece ao novo acordo ortográfico
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A crise toca a todos!
A Crise toca a todos!
Também eu fui tocado pela crise econômica:
- Só como agora queijo podre,

Só como carne seca,

- Só bebo vinho velho.

- O meu carro já nem tem telhado.

- E a minha banheira está ao ar livre!
MAS EU CONTINUO LUTANDO!
SOU PORTUGUÊS E NÃO DESISTO NUNCA!
Tirei o brasileiro coloquei português
Nota: Enviado por um amigo brasileiro
quinta-feira, 17 de março de 2011
Insisto! Ora vamos lá!
Nos dias 24, 25 e 26 da próxima semana estou a carregar as minhas baterias de lítio em Vila Nova da Barquinha, visto que em função da grave crise de incredulidade que me assalta quanto a qualquer hipótese de salvar o barco em que todos navegamos, só naquele sítio encontro os respectivos carregadores.
Assim, se “vocemecês” estiverdes para aí virados, a data não for inoportuna e o vosso fundo de maneio der para as despesas inerentes, terei muito gosto em “ciceronar-vos” na busca do sável ou da lampreia… no prato.
Continuo por aqui à vossa disposição para mais pormenores. Reitero o prazer que sentiria com a vossa participação neste particular convívio. Saudações, A.M.
Assim, se “vocemecês” estiverdes para aí virados, a data não for inoportuna e o vosso fundo de maneio der para as despesas inerentes, terei muito gosto em “ciceronar-vos” na busca do sável ou da lampreia… no prato.
Continuo por aqui à vossa disposição para mais pormenores. Reitero o prazer que sentiria com a vossa participação neste particular convívio. Saudações, A.M.
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