sexta-feira, 20 de julho de 2012

D. Odete

Já comecei a treinar. Quero estar devidamente preparado em janeiro quando entrar em vigor a
lei que vai obrigar à emissão de faturas por todos os artigos comprados. Sou um legalista e não vou dececionar os meus superiores, que com tanto empenho e
inteligência se esforçam para nos conduzir ao estado de divergência com os demais países desta desunião europeia.
Assim, logo de manhã fui ao café do Jorge. Bebi a minha bica e comprei o meu jornal.
- Jorge, passa para cá uma fatura, do café e do jornal, tá?
- Já contratei duas “fatureiras”, mas só começam a trabalhar para a semana. Como vê, só tenho dois braços e está o café cheio à espera de ser servido.
- Ok, estou só a treinar. Faço a minha obrigação.
Como hoje estão 101 milhões de euros à minha espera, pensei que era melhor ir ao seu encontro e passei pela tabacaria da esquina para entregar o meu palpite com os número que sonhei esta noite.
A menina Amélia fez o registo e devolveu o boletim com a respetiva fatura.
Aqui não é preciso pedi-la – pensei.
Mas será que serve para deduzir no IRS? – interroguei-me.
Já ia a caminho de casa quando me lembrei que a minha mulher me tinha pedido para comprar fruta e voltei para trás. Normalmente compro-a, (entre outras coisas),
nas grandes superfícies, mas resolvi ir ao mercado que fica muito mais perto.

Peguei nos sacos de plástico que estão ali sempre à mão e escolhi meia dúzia de pêssegos amarelos, outra meia dúzia daqueles de roer, três nectarinas e três nabos. Pedi à D. Odete – sempre simpática – que me pesasse também 250 gramas de azeitonas.
À medida que ia pesando a fruta ia apontando com um lápis de bico rombo os diversos preços num pequeno papelinho rasgado de uma folha de papel pardo. Somou depois as parcelas.
- São 4 euros e 35 cêntimos – informou.
Dei-lhe uma nota de 5 e enquanto fazia o troco, atirei maldosamente:
- Então, D. Odete, já sabe das faturas?
- Nem me fale disso! Eu nem tenho máquina!
Durindana


    

terça-feira, 10 de julho de 2012

O SENHOR PROFESSOR SEPIÃO.

Sepião era viúvo, um elegante professor primário reformado que tinha passado toda a sua vida de docente na terra dos capões.



Aos 8 anos saíra da aldeia para ir servir de marçano na mercearia de um conterrâneo que estava muito bem de vida, como quem o tinha levado para a cidade lhe dava muito trabalho, pouca comida e de roupa o guarda-pó e pouco mais, por volta dos 14 anos, num dia em que foi a casa dum cliente daqueles bons para receber a conta do mês, fugiu com o dinheiro para Lisboa, arranjou um quarto numa pensão manhosa e empregou-se noutro estabelecimento do mesmo género propriedade de uns galegos.

Foram os novos patrões que o incentivaram a estudar, fez a quarta classe com “uma perna às costas” em três anos, entretanto ganhara no bairro a alcunha de “o flecha”, tal era a mestria e a velocidade que exibia e impunha ao velocípede, “”fugei” que aí vem o flecha”, ouvia-se dizer quando nas imediações se ouvia o estridente toque da campainha da “bicla” da “Casa Ramon”, assim se chamava o estabelecimento de mercearia fina.
Os anos foram-se passando, continuou a estudar, chegou mesmo a participar e a vencer (como atleta federado) algumas provas regionais de ciclismo, quando todos lhe auguravam, mesmo a nível de dirigentes desportivos, um promissor futuro no mundo do ciclismo, Sepião, que já namorava uma filha dos patrões, decidiu estudar para ser professor, casou e foi dar aulas para Freamunde.

Como quase todos os professores primários daquela época, Sepião rapidamente viu avolumar o seu pecúlio, quando, por qualquer razão, alguém decidia (estávamos nos tempos em que se emigrava muito para o Brasil) desfazer-se de bens, a primeira pessoa a quem falavam era a ele.

Entrementes, a sua senhora, de quem nunca teve filhos, morreu cedo com uma doença “debaixo”, dizia-se. Nunca voltou a casar, vivia com uma criada que tinha enviuvado cedo, que depois da morte da patroa teve dois filhos registados de pai incógnito apadrinhados no batismo pelo patrão, eram a cara escarrada dele (Sepião).

Ainda no tempo em que dava aulas ia à terra de quinze em quinze dias, controlava a produção dos terrenos que tinha entregues a caseiros, e durante as férias grandes por lá permanecia os três meses, no tempo das vindimas, que ali aconteciam tardiamente, saía de madrugada, no seu “Volvo marreco” para ir dar classes, e voltava pelo lusco-fusco para controlar a produção.

Já reformado foi ele quem tomou a iniciativa de se dirigir à câmara no propósito de conseguir que nomeassem um regedor para ver se acabavam as rixas que eram quase diárias pelas mais diversas razões, viu frutificar os seus intentos, houve nomeação e até fizeram uma cerimónia de tomada de posse com a presença do presidente da autarquia, comandante do posto da guarda, banda e tudo, adivinhem lá quem deu indicação de quem deveria ser escolhido como autoridade lá do sítio, pois, foi ele mesmo, claro que contou com o apoio incondicional do senhor abade.

À aldeia, a correspondência chegava por mão de alguém que fosse à feira semanal à vila, deslocava-se ao posto dos “CTT” dizia que ia buscar as cartas e, como o meio era pequeno toda a gente se conhecia, trazia-as, às vezes chegavam com especto de terem sido abertas, se quem as tinha trazido fosse alguma pessoa que reconhecessem não ser de confiar totalmente não lhe voltavam a pedir o favor, outras vezes, se o portador fosse considerado figura seriíssima, sussurravam, “deve ter sido a PIDE”. Os sobrescritos eram pousados no balcão da tasca e por lá ficavam, alguns nunca eram reclamados, quando estivessem já amarelados eram pendurados num prego que havia na retrete situada no quintal das traseiras, voltavam a ser uteis.
Para acabar com a situação, lucubrando que alcançaria mais alguns proventos, Sepião candidatou-se a agente dos correios, falou com um amigo bem colocado na capital e passado menos de um mês pendurou a caixa (marco) do correio na parede frontal de sua casa, mandou adaptar um janelo na janela original que ladeava a porta de entrada, assim não precisava de abrir a porta nem levantar a janela, abria e fechava o postigo, mandou mesmo fazer um telheiro em chapa canelada, pintada de vermelho onde se lia “CTT” com a gravura de um cavaleiro a tocar gaita, se chovesse os utentes estavam salvaguardados.

Sepião era uma pessoa muito bem conceituada, na missa, o lugar dele era na primeira fila no primeiro lugar junto à coxia do banco do lado direito como quem está virado para o altar, antes de começar a celebração o sacristão assomava-se à porta da sacristia para espanar muito bem a almofadinha em forma de oito onde ele se ajoelhava, e se por qualquer razão ele não estivesse presente ninguém ousava ocupar o lugar.

Como por todo o país as pessoas eram analfabetas, a correspondência também não era muita por isso mesmo, mas a pouca que chegava ficava muitas vezes por ler, outras vezes era lida quando lá por casa aparecia alguém instruído que fizesse o favor, que era sempre pago com uma galinha, uma garrafa de vinho, ou qualquer coisa que soubessem ser do agrado do ledor.

Furão, Sepião passou a ler as cartas a quem quisesse a troco de dois tostões, e cinco a quem desejasse que lhas escrevessem, era ele ainda quem vendia as folhas de papel e os envelopes que comprava às caixas, a quem aparecesse com os apetrechos comprados mais barato na mercearia ele não redigia, alegando que não se dava a escriturar noutro papel a não ser no dele, e assim cobrava mais ainda.

Passadas algumas semanas do início das novas funções sabia a vida de parte das gentes do lugar, com o tempo, tomou conhecimento da vivência de quase todos.

A sua ganância, aleada a algum altruísmo, diga-se, foi o seu fim.

Rosalinda, mesmo analfabeta, era a catequista da aldeia, limitava-se a ensinar as crianças a rezar, o catecismo lia-o o senhor padre. Mulher dos seus quarenta e poucos anos já trazia cinco filhos, todos pequenos, agarrados à saia, o último tinha nascido há pouco mais de um mês. Era casada com um pedreiro famoso, não só pela arte de trabalhar a pedra como pela sua força muscular, para levantar um calhau grande eram três de um lado e ele sozinho do outro, dizia-se que estava proibido de entrar num café da vila por, por aposta, ter levantado até à cintura um “bilhar russo” dos grandes, um feirante que na altura da festa apareceu com um daqueles comboios que se atirava, fazia um looping e, se com força suficiente, chegava a um castelo fazendo rebentar uma bomba, só ganhou uns cobres até chegar o marido da Rosalinda, ele agarrou no punho que havia na traseira do trem, tomou lanço, uma, duas, três vezes e zuuuummmm… Pum fez a bomba, CATRAPUM, fez a engenhoca ao cair no chão toda desfeita.

Rosalinda tinha uma irmã casada que vivia no Porto que foi à festa, abriu-se com ela contando-lhe o receio que sentia de voltar a engravidar, logo ela se prontificou a, chegando a casa, lhe meter alguns preservativos num envelope, e assim fez.

A meio da manhã chegava a ambulância dos “CTT” e de imediato Sepião lia em voz alta o nome dos destinatários, a nova chegava rápido a quem fosse contemplado, só da parte da tarde ele procederia à leitura.

Um puto a correr chegou-se à janela da casa de Rosalinda e gritou, “senhora Rosalinda, há carta para si”, “ai os preservativos, e eu que não avisei o senhor Sepião que a próxima não era para abrir” pensou ela, ainda considerou pedir ao marido para ir ele buscá-la mas desistiu, era coisa de mulheres, não queria correr o risco de levar alguma lambada.

Até a comida do almoço lhe saiu salgada, e ouviu uma bronca do homem por isso, tal era o estado de nervos em que ficara, até a saliva não lhe ia para baixo.

Deu tempo para não encontrar ninguém e lá foi pela carta, bateu à porta e foi atendida pela criada, “espere um bocadinho, o senhor Sepião está ali a fazer uma coisa que não pode deixar a meio e já a atende”, voltando a fechar, passados dois ou três minutos a porta reabriu-se, era a criada que com uma cesta no braço lhe disse, “vou num instante à venda da Melita e já volto, o senhor Sepião já aí vem”, deixando a porta entreaberta.

Passados instantes ouviu-se um “entra”, e ela entrou, estranhou logo o facto do senhor Sepião estar de robe e não se lhe adivinhar nada por debaixo, ele estava com o envelope já aberto na mão, ela esticou a mão e disse-lhe (com a voz trémula) “essa não quero que ma leia, dê-ma cá se faz favor”.

Sepião suava, tinha os olhos esbugalhados, nos cantos da boca viam-se sinais de espuma, estava desvairado, esticou pouco a mão que detinha o envelope obrigando-a a chegar-se mais a ele, e, de repente agarrou-se a ela forçando-a a cair de costas na carpete com o corpo dele em cima do dela.

Ao cair Rosalinda bateu com a cabeça, ficou meio atordoada mas não perdeu o conhecimento, gritou, gritou, e debateu-se, os segundos pareciam horas e nunca mais ninguém aparecia, ele já lhe tinha rasgado a blusa e arrancado o sutiã, agora enquanto com uma mão tentava tapar-lhe a boca, com a outra tentava levantar-lhe as saias. Sepião tinha já a cara toda arranhada pelas unhas da Rosalinda mas parecia insensível à dor, não parava, até que ela abrindo a boca lhe apanhou dois dedos e ferrou de tal maneira que lhos traçou, Sepião soltou um aflitivo grito de dor, tirou a mão das partes baixas da Rosalinda e aconchegou a outra que ela lhe ferrara com fúria animal.

Ela aproveitou ele ter aliviado a pressão e fugiu, cá fora a rua estava deserta, ninguém tinha dado por nada, desatou a correr para casa, vendo-a num estado lastimável uma vizinha deitou-lhe a mão, outra que também presenciou a correria juntou-se-lhes.

Rosalina ainda pensou esconder o que se tinha passado, mas sabia que se o fizesse ia ser pior para ela, que justificação daria ao homem para as pisaduras que tinha nas faces e nos peitos?

Entretanto Sepião metera-se no carro e saíra de casa, o marido de Rosalinda que só costumava chegar a casa pelo pôr-do-sol, entrou esbaforido de rompante em casa da vizinha, já sabia de tudo, conforme entrou, voltou a sair, foi a casa e voltou de caçadeira na mão numa correria em direção à casa do violador, alguém lhe disse que já tinha fugido, desvairado, esvaziou uma cartucheira, na porta, janelas, no cão que estava amarrado à casota, quatro ovelhas, duas cabras, um bode, duas vacas de leite, coelhos e galinhas, nem o corvo de estimação de quem Sepião muito se orgulhava (porque até sabia falar francês) escapou, tudo morto, safaram-se dois ganços que andavam soltos e fugiram com o barulho dos tiros, e a criada que tinha ido à venda, avisada por alguém refugiou-se em casa do padre.

Os amigos não se chegaram enquanto não estourou o último cartucho, depois rodearam-no e levaram-no para o tasco do Paulino, só havia uma maneira de o segurar, embebedando-o, mas até o conseguirem, foram-se duas mesas três bancos e os queixos do Rocha que, tentando acalmá-lo lhe disse, “tem calma pá, ele não conseguiu fazer-lhe nada”.

Era já quase dia quando adormeceu, ele e mais cinco que por solidariedade o acompanharam na “piela”, conseguiram mantê-lo embriagado três dias, até que o padre tomou a seu cargo a gestão do caso. Acompanhou-o ao posto da guarda para formalizar a queixa e levou-o a falar com o médico que tinha assistido a mulher e lhe confirmou que não tinha havido violação, entretanto do Porto tinha chegado a irmã da Rosalinda para, por uns tempos, lhe fazer companhia.

Na aldeia vivia-se uma paz podre, temia-se que Sepião voltasse ou que o marido, que passou a andar sempre a “meio-pau”* fizesse alguma loucura, em casa da Rosalinda já restavam poucos móveis direitos, nas tascas já não era bem-vindo pois tornara-se no terror de copos, garrafas e não só.

A coisa estava neste pé quando, uma noite, já altas horas da madrugada, parou um carro desconhecido em frente à casa de Sepião, para pasmo dos que foram ver quem era, lá estava o profanador com mais quatro tipos grandalhões, primeira coisa a fazer, manietar o marido da Rosalinda, depois tocou o sino a rebate.

Quase não houve reação dos capangas perante o número de contendores, passados dois minutos, no máximo, estavam todos inanimados no chão, estava quase a raiar o dia quando os bombeiros, acompanhados da guarda, os conduziram ao hospital. Nesse mesmo dia, a meio da manhã, Sepião atirou-se do quarto andar, caindo em cima de uma cadeira de rodas de onde, há dois minutos, se tinha levantado a mãe do presidente da câmara, teve morte imediata.

Estava limpa a honra do marido da Rosalinda, mas ficou o vício do álcool, nunca mais foi o mesmo, foi-se a força, até, para dar ao zarelho nas feiras.

Rosalinda passou a viver desolada, preferia não ter saia suficiente para os filhos se agarrarem, nunca mais engravidou, e os preservativos causadores da sua desgraça continuaram todos dentro do envelope.

PS:
Na comoção da narrativa esqueci de referir que Sepião, logo que juntou dinheiro suficiente, enviou ao primeiro patrão o numerário que lhe havia roubado, acrescido de mais algum juntamente com um pedido de desculpa.
Ironicamente foi o homem, já muito velhinho, que o havia tirado da pasmaceira da aldeia, o único patrício que se deu ao trabalho de se deslocar a Freamunde onde viviam os dois filhos de Sepião, se realizaram as cerimónias fúnebres e onde foi a enterrar.

* Meio bêbado

NOTA: Esta história, e a do “Eufrásio”, pretendem ser uma singela homenagem à aldeia, e suas gentes, onde nasceu minha mãe.
Retrata de forma, exageradamente, ficcionada a vivência dos habitantes de uma terrinha da beira alta encravada entre serras, onde a luz chegou em finais dos anos 60 do século passado e a estrada só foi alargada e alcatroada após o 25 de Abril de 1974 pela tropa.
Tentem imaginar uma localidade após a Revolução dos Cravos, onde durante vários anos, não foi permitida (nas campanhas eleitorais) a passagem de caravanas dos partidos de esquerda, só “CDS” e “PPD”, o sino tocava mesmo a rebate e os “comunas” tinham de dar a volta.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A balada da minha praia


E uma infinita tristeza,
Uma funda turbação
Entra em mim, fica em mim presa.
... Cai neve na Natureza
E cai no meu coração.
                                         

                                       Augusto Gil

Há-de chegar uma altura em que as pessoas sérias e honestas, se ainda as houver, terão que fugir a sete pés dos beleguins do governo. Têm ordem para nos prender e atirar a matar, se tentarmos escapar.
-Eh pá, quem te manda a ti, pregar regras de bom comportamento cívico? Não sabes que as teorias que defendes são subversivas? Estás preso e não vais apanhar menos do que 15 anos num campo de reeducação para aprenderes as novas regras de comportamento - diz-nos o chefe do bando captor.

Dizem que depois do dilúvio a terra será consumida pelo fogo. Cá para mim ela vai ser consumida pela corrupção conluiada com a sem-vergonhice, apoiadas pela falta de caráter e pelo egoísmo, que de freio nos dentes não para de se desenvolver ameaçando ocupar o diar da fraternidade universal celebrado a 1 janeiro de cada ano.
Os valores que no princípio do século 20 conduziam ao suicídio pela honra perdida, à vergonha de andar na rua, ao acabrunhamento e ao retiro da vida social, perderam-se vertiginosamente engolidas pelas sargetas num dia de forte chuvada.
Os escândalos aparecem em catadupa nos meios de comunicação. São os autarcas que continuam a gerir as suas câmaras mesmo depois de condenados, ou então são repescados para qualquer outro lugar economicamente compatível. Gestores públicos igualmente condenados ou oficialmente incriminados por gestão danosa, burla, aproveitamento ilícito, continuam a andar pelo mesmo passeio em que desprevenidamente passam os cidadãos sérios e íntegros.
São as fugas de informação que deviam ser salvaguardadas e aparecem na rua sem que alguma vez se saiba quem foram os faltosos, como acontece na justiça com os processos sob julgamento e nas escolas públicas com os exames.
Quando se poderia pensar que depois de 1974 os “canudos” só poderiam vir a ser adquiridos com muita aplicação e bons resultados, e não comprados por papás endinheirados, eis que assistimos a compadrios que permitem passar diplomas sem frequência nas matérias, ou obtidos de um ano para o outro em qualquer universidade (quase sempre privada).
Os cargos superiores de qualquer multinacional instalada em Portugal são preenchidos pelos candidatos com melhores médias nos seus cursos.
No Estado, os lugares são preenchidos pelo compadrio de uma falsa elite, que necessita de um Dr. ou de um Engº. antecedendo o seu nome próprio.
E assim, “step by step”, afundamo-nos, trágica e definitivamente!
A.M.

DESPEDIDO


Mais uma voz do NORTE silenciada.

A direção de informação da “RTP” decidiu prescindir da participação de Júlio Machado Vaz como comentador desportivo no programa “Trio de Ataque”.

Muito tranquilo, como é seu timbre, Júlio M. Vaz despediu-se dos telespetadores mencionando que, de adeptos de todos os clubes recebeu parabéns pela postura adequada que manteve no programa, onde defendia o Sport Lisboa e Benfica.
Como foi o único que se despediu, depreende-se que Rui Oliveira e Costa continuará a defender o Sporting Clube de Portugal, e Miguel Guedes o Futebol Clube do Porto, Hugo Gilberto também deverá continuar como moderador.

Na mudança, não é difícil calcular que terá partido do orelhas (Luís Filipe Vieira) alguma forma de pressão sobre a direção de informação, primeiro porque o Júlio é do Porto, segundo porque não alinha na “boatagem “ própria dos “patrões” do salão de festas do FCP, terceiro (quiçá a razão mais forte), porque estando (JMV), intelectualmente, muito acima do presidente e dos comentadores dos lampiões, estes deviam sentir-se incomodados.
Aguarda-se agora para ver a cara do parvalhão recrutado para o substituir, não deve diferir muito do anedótico Rui Gomes da Silva, estou mesmo tentado a arriscar o nome de João Malheiro que há muito anda aos caídos, eu gostaria mais de Ricardo Araújo Pereira, sempre é cómico, António Pedro Vasconcelos está xexé, e João Gobern não é porque saiu há muito puco tempo.
A ver vamos.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O EUFRÁSIO DA CREMILDE FOI PRESO (ficção)



Não sei se o nome Paciência era próprio se alcunha, sei que era assim chamado o, há muito falecido, marido da senhora Cremilde, que morreu relativamente novo, ainda hoje na aldeia não se usa o costumeiro “morreu como o cão do Miguel”, mas, “morreu como o Paciência”, quando querem dizer que alguém faleceu de forma estranha e ou violenta.

Na aldeia todos sabiam que a Cremilde “acertava o passo” ao marido, não o diziam “à boca pequena”, frequentemente, e em público, qualquer fedelho perguntava, “ó Cremilde, fá fod..te as trombas ao teu homem hoje?”. Ela não se amofinava, sorria até, demonstrando alguma vaidade.

O pobre desgraçado deve ter nascido fadado para a desgraça, lá em casa era o único que “vergava a mola”, andava à jorna para toda a gente, e quando não havia trabalho fora ocupava-se de uns terrenitos de onde tirava o sustento para ele, para a mulher e dois filhos.

Um belo dia, logo de manhã cedo, vi-o passar junto à casa da minha tia, ia com um braço todo ensanguentado, à tarde voltou da sede do concelho com o mesmo braço engessado, disse-se que o burro lhe ferrara. Nesse mesmo dia o Paciência foi para longe abandonar o burro, mas ao outro dia, à noite, o burro voltou e pôs-se a zurrar em frente à casa para lhe abrirem a porta da loja. Fazendo jus ao nome, o marido da Cremilde acolheu-o novamente, antes não o tivesse feito, passado pouco tempo o asnático voltou a ferrar no dono, só que desta na cabeça, matando-o, logo começou o falatório, todos na aldeia responsabilizavam este ou aquele da casa, menos o burro, pela morte do desgraçado.

Certo é que veio a guarda, uma ambulância, levaram o corpo para autopsiar, fez-se uma coleta, enterrou-se o homem, o burro permaneceu, e a vida continuou.

Da união do falecido com a Cremilde haviam nascido dois rebentos, que se dizia poderem ser filhos de qualquer um da aldeia menos daquele a quem chamavam pai, o Josué, o mais velho que ainda novo, para fugir à tropa, foi a salto trabalhar para as minas de carvão das Astúrias e por lá morreu com a doença do silicone nos pulmões, nunca mais regressando à terra que o viu nascer, nem mesmo depois de morto, e o Eufrásio.

Cremilde era uma mulheraça de finas feições, se não se reparasse na bigodaça, pró alto, anca e peitos volumosos que fazia questão de exibir fizesse frio ou calor.

Era conhecida nas terrinhas todas, ali à volta, onde houvesse feira, ela ia a todas, ia e vinha, outras vezes ia e ficava por lá uns dias quando era apanhada em flagrante naquilo que melhor sabia fazer, roubar carteiras, constava que nunca foi parar a uma prisão porque os guardas a obrigavam a devolver o que tinha roubado conseguindo assim que a perdoassem, depois mantinham-na no posto por uns tempos até que, começando pelo comandante seguindo-se as praças, todos se servissem dela até ficarem satisfeitos, e ela não se importava, pois nos dias de festa lá da terrinha os guardas passavam sempre por casa dela, depois da procissão lá estavam os cavalos brancos amarrados na argola da tasca do Paulino que ficava mesmo defronte.

Nas suas andanças pelas feiras, Cremilde fazia-se sempre acompanhar pelo filho mais novo, adivinhava-se o futuro do pequenote.

Por volta dos 13/14 anos, Eufrásio tornou-se num adolescente extremamente violento, batia em todos, novos, velhos, homens, mulheres e crianças, chegou mesmo a dar um enxerto de porrada ao sacristão, ao coveiro, que era seu tio, tentou enterrá-lo numa cova que estava a abrir para o Megilde que se tinha suicidado com remédio do escaravelho, não tivesse o Arménio (coveiro) gritado a plenos pulmões por socorro e ia “desta para melhor”.

Eufrásio arriou impunemente em toda a gente menos no padre e no regedor, até que um dia abriu a cabeça ao primeiro e o segundo espetou com ele num reformatório onde permaneceu até à idade da tropa, nem foi a casa, assentou praça diretamente.

Iniciou-se então uma nova rotina, com regularidade aparecia na povoação um jipe da tropa, vinham buscar o recruta que saía de fim-de-semana e não regressava ao quartel, por lá ficava uns tempos de castigo até que lá aparecia novamente o carro com a polícia militar.

Feita a recruta o nosso herói foi mobilizado e foi “bater com os costados” na Guiné, devido aos constantes castigos por lá ficou quase cinco anos, quando regressou trazia pelo braço uma senhora da cidade, era uma das madrinhas de guerra que, graças aos aerogramas que eram de borla, conseguiu engatar, e com ela casou passado muito pouco tempo.

Entretanto Cremilde, sua mãe, tinha desaparecido, ninguém se importou, constava que tinha fugido para o Brasil com alguém da terra ao lado que nunca mais ligou à mulher e aos filhos.

Como nunca tinha feito nada na vida e sem qualquer fonte de rendimento, Eufrásio decidiu tornar-se proxeneta da própria esposa, como fazia com sua mãe voltou às feiras, obrigava a mulher a prostituir-se, e se o cliente estivesse endinheirado roubava-o.

A senhora, cujo nome nunca soube, conseguiu, numa ocasião em que o marido estava a emborrachar-se no tasco, ir a casa do Sepião que era quem recebia o correio e tinha telefone público, telefonou para casa de familiares a contar a sua desgraça e nesse mesmo dia chegou um carro de praça que a levou, nunca mais o Eufrásio lhe pôs as vistas em cima.

Sem mulher nem dinheiro resolveu emigrar, passado algum tempo, duma povoação pegada, veio a novidade, alguém que também tinha decidido tentar a sorte no estrangeiro contou que tinha trabalhado com ele no Iraque, andava nas obras, a construir os palácios de Saddam, por lá, ou por outras paragens ficou muito tempo até que voltou, ninguém o reconhecia, magro, velho, mal-ajambrado, e sem uma mão, voltou maneta.

Contou a um primo que o apanharam, lá, no Iraque, a roubar e… Zás, mão direita fora.

Sem a mão que tinha arte, para roubar, decidiu dedicar-se à pedincha, andava de terra em terra a bater de porta em porta, mas levava com ele a fama que tinha granjeado em novo, ninguém lhe dava nada, antes pelo contrário, corriam-no quase sempre à pedrada.

Voltou a desaparecer uns tempos, mas como quem é vivo sempre aparece, alguém da terra o viu a mendigar em Lisboa exibindo o sítio da mão que lhe amputaram no Iraque.

Os anos passaram e o Eufrásio acabou recolhido numa instituição de beneficência, mais um par largo de anos se passou até que, ontem, lá estava uma notícia no jornal, Eufrásio tinha sido detido no albergue onde sobrevivia, tinha molestado sexualmente uma assistente social idosa deixando-a às portas da morte.

O jornal andou de mão em mão, o Eufrásio ia ser patife até morrer,

Com graça alguém disse, “vá lá, anda com sorte, está cá, olha se fosse no Iraque”.   

domingo, 1 de julho de 2012





















Já perdemos a glória
Impõem-nos silêncio e calma
Querem tirar-nos a memória
Já só os sapatos têm alma.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

PARECE QUE QUEREM MATAR O REI


Todos sabiam que a saúde de Eusébio está bastante debilitada, porque o levaram para o europeu de futebol?
Não é fácil imaginar quanto vão custar os exames médicos e o seu internamento, se a isto juntarmos o custo da sua evacuação em avião medicalizado não é difícil deduzir que se vai gastar uma fortuna.
Espero que a filha do Pantera Negra, aquela que tem dois cursos superiores, se tenha deslocado à Polónia para acompanhar a retirada do pai não vá acontecer-lhe alguma coisa durante o voo.
Um funeral de Estado, nesta altura do campeonato, dava um jeitão ao Governo e ao Presidente da República.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Fernando Ulrich - Presidente do BPI




Falando aos jornalistas à margem de uma palestra, no quadro da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEG) a que pertence, o gestor bancário disse que há sectores de atividade e segmentos da população "que ainda têm alguma margem de manobra" para uma eventual aplicação de mais medidas de austeridade.
IMAGINE-SE QUE ELE NÃO ERA CRISTÃO!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

"Remessas dos emigrantes sobem para níveis de há 10 anos"

Os emigrantes não enviavam tanto dinheiro para Portugal desde 2002. 


O aumento da emigração e as dificuldades do País podem estar na origem de uma inversão de tendência, diz o Diário Económico.
 
As remessas de emigrantes portugueses voltaram a aumentar, após a quebra sentida em anos de crise, como 2008 e 2009, e depois de terem estagnado no último ano. 
Escreve hoje o Diário Económico que os dados divulgados pelo Banco de Portugal mostram que os emigrantes portugueses enviaram 822,4 milhões de euros para o País nos primeiros quatro meses do ano, o que representa um aumento de 17,6% face ao homólogo de 2011, e é mesmo o valor mais alto da última década.


Esta notícia do "DN" (on-line) vem demonstrar que a maioria dos emigrantes portugueses estão com a sua terra natal, alguns que eu conheço, e outros (que se desdobram a dizer mal de Portugal) são uma insignificante minoria.

ZUM-ZUM? SÓ?



Fonte, mais ou menos, bem informada disse-me que a privatização da Caixa vai voltar (introduzida pelos jornalistas que pediram suspensão da carteira profissional e agora trabalham para o Governo) aos noticiários e jornais, os governantes querem sondar a reação popular, o Primeiro-Ministro já deixou claro que pedir novos sacrifícios aos portugueses não é o caminho.
Passos Coelho já defendeu, publicamente, a privatização, temo que o zum-zum tenha fundamento, já foram quase todos os anéis, agora vão os dedos.

domingo, 24 de junho de 2012

BOM S. JOÃO, OU, AINDA HAVERÁ ARROLADOS?

No tempo em que os anos ainda não me pesavam era com ansiedade que aguardava as três noites, Passagem de Ano, Carnaval e S. João.
A juventude da minha geração passava as passas (do Algarve) da terra do manhoso (Cavaco Silva) para conseguir desenfiar-se uma noitita fora de casa, não era muito difícil em época de exames, dizíamos que íamos para casa de um colega estudar, e como o telefone ainda era um luxo, e ir a casa do colega perguntar ficava mal, quase sempre pegava.
Noutras ocasiões perdia horas, dias, e até semanas a inventar um barrete que o velho podia enfiar ou não, mas havia aquelas três noites, quando chegavam, o roteiro já estava mais que definido.
Os mais surrelfas, não era o meu caso, quando se estivessem a aproximar as (tais 3) noites de ramboia andavam direitinhos que nem um fuso, parecia que não quebravam um prato, uns autênticos meninos do coro, não fosse sair castigo, e, se por acaso ouvíssemos, “na noite de … ficas de castigo, não sais de casa”, a trabalheira que dava tentar virar o capacete ao pai.
Às primeiras investidas, que eram quase sempre acompanhadas de um “ó mãe, não queres que te ajude a fazer nada?”, recebia-se um “não me chateies, isso é com o teu pai”, dava-se algum tempo, não fosse a coisa em vez de resultar agravar-se, e voltava-se à carga, uns beijinhos à velhota ajudavam muito, “ a minha chamava-me “sendeiro”, que raio de nome.
Um pouco de graxa a um vizinho por quem os pais tivessem consideração às vezes dava, mas bom mesmo era a visita´, a nossa casa, de uns tios da aldeia que gostassem de nós, uma cunha deles era tiro e queda, resultava sempre.
O meu tio Alfredo, que era gago e portista, Deus o tenha, se chegasse a minha casa e me visse lá dizia logo, “eeeentão raaaapaz, queeeee, fiiiizesssste deeeesta veeeez?”, é que visitas não era comigo, se não precisasse de nada punha-me na alheta, não estava para ouvir a conversa de sempre, “o fulano ainda é vivo? Quantas pipas de vinho deu esta ano a vinha da seara? O padre ainda é o mesmo?”, era sempre a mesma lenga-lenga, a fruta da época que eles traziam por costume e que era novidade comia-a ao outro dia.
Chegadas as noites era eu o primeiro a abeirar-me da mesa para jantar já com o banhinho tomado, mal o meu progenitor entrava na sala sentia de imediato o peso do seu olhar, sentava-se, a seguir a minha mãe, e só depois eu, e o raio do olhar dele em cima de mim.
Era sagradinho, uma ou duas colheradas de sopa e lá vinha a pergunta dirigida à minha mãe, “ele tem-se portado bem?”, mesmo que a minha conduta não tivesse sido muito abonatória jamais a minha santa mãe me deixou ficar mal, ela sabia que com a sua atitude ganhava mais uns beijinhos, antes de acabar de comer ainda ouvia uns tantos considerandos sobre os malefícios de comer muito depressa, e como o senhor Manuel (meu pai) comia devagar nesses dias…
Acabado o repasto havia que ajudar a levantar a mesa e correr para o quarto para vestir, numa dessas belas noites quase que tive de voltar para trás, fui salvo pela minha mãe que disse ao meu pai, “deixa lá homem, agora usa-se”, o meu pai queria que eu mudasse de roupa, culpa de umas calças à boca-de-sino.
Descia três andares em segundos, eu já sufocava, a porta da rua e…Ar puro, parecia que tinha entrado noutro mundo, sentia mesmo uma doce vertigem que me inebriava.
Depois as noites eram iguais às dos outros putos da classe média da minha criação, passavam muito depressa.
Quando já nos arrastávamos para casa cruzávamo-nos com os de sempre, os velhotes lá da rua que tinham ido para a cama depois do fogo-de-artifício e de manhã cedinho saiam à rua para ver os arrolados.
Arrolados eramos nós os que já não podíamos com os pés mas tínhamos de chegar a casa e os outros, os que não aguentavam mais e dormiam um sono pegado em qualquer lugar, a Avenida dos Aliados tornava-se uma autêntica camarata, os relvados que ladeavam os jardins, e os bancos, registavam quase sempre lotação esgotada.
Foi ao recordar-me do termo arrolados que hoje encontrei uma justificação válida para as aberrantes alterações que a autarquia (liderada pelo senhor Doutor Rui Rio) fez na referida avenida, já imaginaram o espetáculo que seria para os riquinhos que pernoitam (a peso de ouro) no super/híper Hotel das Cardosas mesmo ao fundo da Avenida dos Aliados?
Por maior que seja a fadiga não acredito que haja quem se arrisque a descansar o “esqueleto” nas pedras que substituíram os macios relvados.

BOM S. JOÃO PARA TODOS.



sábado, 23 de junho de 2012

POPULARIDADE A QUANTO OBRIGAS





O manhoso de Boliqueime é o Presidente da República de Portugal, do pós 25 de Abril de 1974, que foi eleito com o menor número de votos, bate também outro recorde, pela negativa, é o menos popular de todos.
Todos os anos por esta altura eu mimava o senhor Silva porque ele não se dignava honrar os portuenses com a sua presença na noite da grande festa da cidade, sempre pensei que não viria nunca para não dar cabo do penteado.
Este ano nem me tinha lembrado do assunto, talvez porque o meu subconsciente o tivesse arrumado sabendo das dificuldades que Cavaco tem em gerir os seus parcos recursos, a laca também deve estar mais cara, logo, não viria.
E não é que vem mesmo?
Mas parece que já avisou que não se sujeita às marteladas como Soares e Sampaio, não vá no meio dos martelos de brincar aparecer um a sério.
Até o meu “amigo” ambliope veria que a vinda de cavaco silva, hoje, ao Porto não passa de uma tentativa desesperada de fazer subir a taxa de popularidade.
Agora digam lá se tenho, ou não, razão para lhe chamar MANHOSO.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

CHICA, UMA DAS MINHAS CADELAS, NÃO FALHOU.





PORRADA NO CAFÉ DO COSTA, FERIDOS 3 POLÍCIAS E 16 CIVIS QUE FORAM CONDUZIDOS AO HOSPITAL, INCLUINDO A MULHER DO COSTA, TUDO POR CAUSA DA CRISE.




Não fosse a crise, os 23% de IVA aplicados à restauração e o Costa até era capaz de fechar os olhos, até fechou, mas a Zulmira que é de pelo na venta arreou a giga, ouvi até dizer que o primeiro a levar nas beiças foi mesmo o marido, o Costa.
Na rua há 4 cafés, no entanto era, digo era porque não acredito que volte a abrir tal foi o estado em que deixaram mesas, cadeiras, balcões, montras, cozinha, e até a zona de fabrico, é que além dos tradicionais cafés, meias-de-leite, galões, cariocas, chás, cervejas, sumos, francesinhas e pratos do dia, também era pão-quente.
Como eu dizia, no café do Costa era um entra e sai, os donos dos outros 3 (sobretudo o que fica lá mais para o fim do bairro, que tem sempre a casa às moscas) já rumorejavam “ali há poeira”, eu só lá entrei uma vez, não acredito, o senhor tem cara de boa pessoa, até vai todos os domingos à missa das 7 antes de abrir o estabelecimento, já a senhora dele, não quero dizer que tenha cara de traficante, não… Tem feições, e é regateira, por causa de uma estridente discussão dela com uma cliente é que nunca mais lá entrei.
Hoje cheguei a casa pouco passava das 6 da tarde, como sempre passei em frente ao café, reparei num pequeno ajuntamento à porta mas não liguei, passada mais ou menos meia hora, estava eu na cozinha, comecei a ouvir gritos, vidros a partir, e logo de seguida sirenes, espreitei à varanda e…
Era uma autêntica batalha campal, até já lá estava o 112, a polícia dava ideia de estar numa manifestação daquelas que têm agitadores deles (polícia), era sempre a aviar, batiam em homens mulheres, novos ou velhos, e nas crianças, entretanto chegaram reforços, polícias de choque com “shotguns” e tudo, fechei a varanda, não fosse levar com algum balázio perdido.
Quando senti que a confusão tinha amainado voltei a espreitar, continuava a rua cheia de gente, havia gente deitada no chão a gemer, 6 ambulâncias com as portas escancaradas faziam as vezes de um hospital de campanha, havia mesmo bombeiros a fazer pensos a pessoas sentadas nos passeios.
Nunca mais vou esquecer duas situações que se destacavam de toda a barafunda, o senhor Alfredo, morador no 3º. esquerdo da torre 2, homem dos seus 87/88 anos, que gritava a plenos pulmões “SÓ QUERIA SABER QUEM FOI O FILHO DA PUTA QUE ME DEU UM MURRO, AJUDEM-ME A PROCURAR A DENTADURA”, e o  senhor Ricardo, que não sendo velho, é cego e anda numa cadeira de rodas, ficou assim há mais de 20 anos quando caiu do segundo andar de uma moradia que tentava assaltar. O tal senhor Ricardo também gritava, parece que ninguém lhe bateu, mas no meio da balbúrdia roubaram-lhe o cordão de ouro e o telemóvel.
Eram já 10 da noite quando a polícia obrigou o Costa a fechar o café e fez dispersar o pessoal, os mais aleijados foram transportados ao hospital e a rua está calma, mais calma do que é costume.
Fiquei a matutar, porrada na rua? É normal, porque este puto bateu naquele, porque partiram um vidro ao jogar à bola, porque este mandou um “sms” a dizer que a mãe do outro é uma vaca, porque o Zeca apalpou o cu à Luísa, a Fernandinha emprestou 100 euros à Irene e ela não paga, depois mete pais maridos e mulheres e o confronto dá-se, banal, agora, como hoje? Nunca tinha visto.
Decidi telefonar para a esquadra, podia ser que se o Arnaldo (um polícia meu amigo) estivesse de serviço me dissesse a razão de tamanha chinfrineira.
E estava, e já sei tudo…
É que por causa da crise e do desemprego grande parte do pessoal do bairro decidiu poupar como e onde pode, com a poupa na água tramou-se o Costa, as casas de banho não tinham parança desde que ele abria a porta até fechar, há dias fechou uma hora mais tarde porque o senhor Carneiro foi defecar mesmo à hora do fecho, como andava com prisão de ventre nunca mais de lá saía.
Parece que o Costa levava a coisa na boa, entre 4 mijadelas e uma cagada sempre havia um ou outro que tomava um café ou bebia um Favaios, quem não aguentou foi a mulher, a Zulmira que disse à polícia que todos os dias à noite, ao fechar, havia merda e mijo por todo o lado, até nas paredes.
Tudo culpa de quem?
DO GOVERNO!
PS: ‎500 EUROS DÁ O SENHOR COSTA DO CAFÉ
A quem der informações sobre o paradeiro do papagaio e máquina do tabaco (da foto) que, pelo soleno, roubaram durante a rixa.

sábado, 16 de junho de 2012

EU APOIO!




Não gosto de Tony Carreira mas (contrariamente a quem me é mais chegado) apoio o mega piquenique do “Continente”, e porquê?
Primeiros, mostra-nos que aquele espaço pode ser usado para outra coisa que não seja roubar o Povo, segundos, a canalhinha pode aperceber-se de muitas coisas que eles nem sonham, como por exemplo, concluir que (afinal) o leite vem de uns bichos parecidos com aqueles que aparecem na televisão às cornadas aos cavalos e a uns gajos que usam barrete, e não daquelas senhoras que aparecem nas revistas que a mamã compra e a que o papá chama vacas.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

FADISTA? EU?



Nas minhas (há muito passadas) noites de boémia, vi-me por várias vezes “caído” no meio do mundo do fado.
Houve quem dissesse que eu até cantava bem, não me recordo, sei que das poucas vezes que cantei em público estava com um grão, grão? Não, com uma espiga na asa.
A ambiência do fado é-me estranha, e porquê?
Admito que no norte o meio não tem a excelência da capital, apraz-me no entanto verificar que em Lisboa, tirando as tasquinhas tradicionais, o fado é demasiadamente snobe, eu que não entendo nada de fado acho que Carlos do Carmo é, como hei-de dizer?
É um fadista de plástico, não consigo ouvir-lhe a alma, a senhora sua mãe passou-lhe só a vontade de ser fadista.
Claro que houve enormes fadistas, o Fernando Maurício foi para mim o melhor de todos, hoje classifico como maior expoente o Camané.
Perguntarão, porque raio este gajo que só ia aos fados para beber copos vem mandar bitaites sobre a fadistagem?
Eu explico…
Faleceu hoje um homem que há aproximadamente 50 anos me deixou boquiaberto, nunca tinha visto ninguém tocar guitarra, ou qualquer outro instrumento como ele, falo de Raúl Nery,
Corriam os anos 60 do século passado e eu, como fazia muitas vezes, fui ter com o meu falecido irmão (Óscar) ao trabalho, estava empregado na casa Ruvina, na Rua Formosa/Porto, que era propriedade do seu padrinho Óscar Ruvina.
Enquanto esperava que ele saísse e me trouxesse para casa deambulava pelo estabelecimento, mexendo em tudo quanto era instrumento, quase sempre chamado à atenção pelo senhor Mário que é hoje dono da casa “Lamiré”, quando ele me dizia “não mexas nisso rapaz”, eu fugia para a oficina, lá, ficava a admirar o velho César (afinador), a colar uma escala numa viola, ou um tampo, a meter um pistão num trompete, a afinar um piano, ou, como nesse dia, a tocar, tipo, à desgarrada, com um senhor que eu não conhecia e, só uns anos mais tarde pela televisão vim a saber que se chamava Raul Nery. Fiquei colado ao mocho (banco de madeira) a ouvir os dois dedilhar, como nunca tinha ouvido, as guitarras portuguesas.
Alguns anos mais tarde reencontrei Raul Nery em Lisboa no “Senhor Vinho”, não atuava, jantava, e não é que me reconheceu?
O senhor também era bom de memória visual.
Nunca mais o vi, e hoje soube que faleceu.
Aqui fica a minha singela homenagem a um homem (que quanto a mim) com a sua sábia maneira de tocar guitarra portuguesa muito fez para que o fado fosse considerado património mundial da humanidade.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

CONSULTORIAS


Alegadamente, Paulo Pereira Cristóvão terá contratado para o Sporting duas empresas que cobravam cerca de 8 mil euros (cada) por mês.
As autoridades sabem que essas firmas de consultoria eram de alguém próximo ao ex-dirigente sportinguista e des confiam que delas receberia benefícios.
Agora pergunto eu, porque raio os investigadores não prendem quem com o mesmo estratagema come milhões nas empresas do estado e nas PPPs?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

ESTOU BANZADO



Passei assim de repente pelo “Ídolos” da “SIC” e até me arrepiei, era a vez de Barbara Guimarães analisar a atuação de um dos concorrentes, fiquei prá minha vida, a senhora abre a boca e é de uma pobreza franciscana, sem papel para ler a “madama” não diz uma para a caixa, qualquer puto com a quarta classe tem muito mais poder de conversação que ela.
O Carrilho interessou-se pelo “cabedal”, e pelos implantes, só pode, é que a colunável Bárbara é fútil!

domingo, 10 de junho de 2012

10 de Junho 2012





Hoje é aquele dia que, quando eu era miúdo, me deixava muito orgulhoso de ser português, de termos tido um Camões, ver as tropas na rua com a artilharia toda, e ser feriado.
Passado pouco tempo o Camões dava-me cabo da mona em português, mas continuava a haver militares, tanques, aviões no ar, e a ser feriado.
Com o 25 de Abril de 1974, os militares traziam cravos, o Povo estava alegre, e era um feriado do carago.
Depois veio o manhoso de Boliqueime, trouxe com ele a “raça”, os filhos da puta dos amigos dele (que desgraçaram esta terra) são condecorados, há menos tropa na rua, o cravo foi banido, o Povo enganado, roubado, oprimido, ameaçado, a seleção derrotada.
Nunca pensei poder ter vergonha de ser português, e que se foda o feriado!

sábado, 9 de junho de 2012

A paciência tem limites.
Desta vez Vasco Pulido Valente passou das marcas.
Primeiro, porque atribui a D. Januário Torgal Ferreira a proferição de “asneiras periódicas”
Segundo, diz que à “extrema-esquerda só lhe resta ir berrar para a televisão.
Creio, que este sujeito, atendendo ao facto de ter militado nas hostes do MES, se não berrava pelo menos fazia mé-mé!
Parece recear que a extrema-esquerda o proíba de entrar no Gambrinos.
Ó Vasco, deves ter acordado com uma enxaqueca de se lhe tirar o chapéu!
Ou era alguma ressaca?

PÔR O PAÍS A HOMENAGEAR UM CRIMINOSO É CRIME!



  • Sabem que me passa muitas vezes pela cabeça a ideia de que deviam responsabilizar quem elegeu o criminoso que atualmente habita o Palácio de Belém? 
    cavaco silva vai amanhã condecorar um criminoso fascista, podia aproveitar e fazia o mesmo a dias loureiro, um gatuno, e a duarte lima, um assassino, podia até autocondecorar-se para completar o ramalhete.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Reacção em cadeia




               Que me lembre, entre outras coisas, reacção em cadeia era o título de um filme já com alguns anos. Nunca o vi. Era demasiado pessimista para a minha esperança. Tratava, segundo creio, de mostrar as sequelas dramáticas de uma guerra nuclear hipotética que, desejamos todos, nunca se desencadeie, para o bem da humanidade e sobrevivência do nosso amado Planeta Terra. Amado sim, embora maltratado, nesta estranha maneira que os homens tem de amar, lixando.
             A propósito, o meu edil não se dignou ainda colocar aqui na zona aqueles recipientes para a separação dos lixos. Assim, o meu continua a aparecer lá no cemitério de resíduos completamente indiferenciado. O sujo com o limpo e o limpo com o sujo, sem outra utilidade que não seja ser simplesmente lixo. Ou sairá dali algum fertilizante para as terras? Seja isto, ao menos. Mas eu podia mandar o plástico a um lado, o cartão noutro e, finalmente, o vidro num outro. Se isto é como é, a culpa não é minha e os meus vizinhos, tendo já mostrado estarem-se nas tintas para uma boa dezena de coisas, é óbvio que para estas terão uma razoável paleta de cores no seu conceito de ecologia. Todas negras sem dúvida.
                 A reacção em cadeia que me despertou hoje o desejo de escrever não tinha nada a ver com o lixo. Era, antes de mais, uma tentativa de ser uma cronista tão hábil como António Lobo Antunes (meu Deus, quanta imodéstia!) o tal escritor escrevente ao ritmo do seu pensamento. Daí ele ser tão difícil de ler. Sendo o pensamento por vezes demasiado doido, terá de se ser igualmente demasiado bom para se escrever um livro coerente. Isto se não se quiser deixar o leitor aos papéis com a dispersão entre o passado de agora, o futuro daqui a alguns segundos e o presente depois. Mas, também, perante livros assim, não sei quem terá de ser melhor, se o escritor se o leitor, que às vezes tem de se comportar como um autêntico adivinho das loucuras do pensamento dos outros.
             Bom, hoje o meu tema era a reacção em cadeia e, mais concretamente, o H5. Lobo Antunes apareceu só por acaso e por eu me ter deixado levar pelo ritmo dos meus próprios pensamentos.
               Não sei quem me meteu lá no H5, onde andei uns anos quase sem saber. Ou, pelo menos, sem me lembrar de ter dado esse grande passo no reino da Web. Eu não fui, de certeza, visto ser uma nódoa a informática, bem maior do que a Cordilheira dos Andes. Ou mesmo do Monte Evereste. Foi talvez o Pedro, o meu amigo da informática lá do sítio e do tempo da outra senhora, a quem me vendi durante quase 30 anos, até conseguir o meu passaporte para a liberdade. Mesmo que o horizonte último dessa liberdade seja o céu. O céu é mesmo uma coisa boa para quem acredita no além. É o meu caso. Faz-me bem pensar na hipótese um dia conhecer S. Pedro com as costas livres da minha espondilose crónica e, sobretudo, sem dores. Além de querer, nesse dia, entabular conversa com ele em inglês. Sendo uma língua universal, com certeza também já foi adoptada, quer no éden, quer no Inferno. Eu tenho de me safar muito bem pois, se não me conseguir fazer entender na hora de evocar os meus pecados e virtudes, corro o risco de ir para o caldeirão onde caem e rangem os dentes de toda a gente, com e sem cáries.
               Mas sim, foi certamente o Pedro a registar-me no H5. A primeira razão foi talvez o facto de eu ser mais um ponto no seu rol de amigos, mais uma foto a cores no mural para todos verem quanto o Pedro era bem e longamente relacionado. E eu também beneficiaria com isso. Um amigo acrescenta outro amigo, os amigos comuns multiplicam-se, até já ninguém saber quem é quem e por que se anda ali a fazer nada.
               Tudo isso aconteceu antes de eu saber quanto apreciava o silêncio da minha casa, onde gosto de me encontrar a sós comigo. Se na altura já soubesse isto tão claramente, não teria dado o meu aval ao Pedro, facultando-lhe ainda uma foto com ar de festa para ele colocar no mapa-mundo da Web, onde eu teria tantos amigos como demónios tem o diabo na sua legião. Nessa altura não sabia quanto me entediariam as fotografias de inúmeros homens a navegarem por ali numa clara atitude em que o engate, mais do que implícito, é demasiado ostensivo para eu me sentir bem nesse ambiente. Mas tudo isso só o soube depois, num dia qualquer e quando recebi a notificação de que alguém tinha visto o meu perfil. Um homem, com certeza.
              Se até ai tinha estado algo preservada do H5, nessa altura devo ter feito inadvertidamente qualquer coisa que contribuiu para encher diariamente a minha caixa do correio.
             Depois, tive de me confrontar comigo mesma, naquela foto seca, sem nenhuma palavra a definir-me. Estava na altura de a vestir com alguns farrapos.
             Vendo bem, os que usei eram excessivamente provocatórios: Era ecléctica na música. Gostava de tudo, menos de fado, que me servia unicamente de pretexto para os encontros com amigos. Nos livros era igualmente versátil e falava naquela delícia de A Cidade e as Serras, mais as considerações de Jacinto acerca da civilização, demasiado entediante para ele nos seus últimos tempos de Paris.
           Quanto ao andar pelo H5 – escrevi então – devia estar doida no dia em que permiti ao Pedro a inscrição naquele centro de engate. Sobretudo depois de já ter sido comprada por não sei quantas pessoas como se fosse uma vaca mirandesa ou, para não ser tão vulgar, como um jogador de futebol que se vende aos clubes como se estivesse a vender a alma ao diabo. A maioria dos meus compradores eram homens de todas as idades e o mais novo tinha apenas 19 anos, prontificando-se a proporcionar-me, além do mais, alguma coisa para lá de ser meu dono virtual. Cheirou-me logo a carne e nesse dia decidi que não iria transformar-me em canhão de ninguém. Estava na hora de cancelar a conta.
             E eram umas centenas de gajos, sobretudo,   a andar por ali. Bonitos e feios, feios e bonitos, velhos e novos. Enfim, quanta fome  encoberta e quanta gente infeliz.
           Um dia, depois de tantas fotos ver e recusar convites de amizade, recuei uns anos no tempo, quando, depois do jantar, ia ao café encontrar-me com os amigos e trocar dois dedos de treta, que se prolongavam até à hora do fecho, por volta da meia-noite. A manhã seguinte tinha na agenda os compromissos habituais, a escola, o trabalho, e era preciso acordar com ar sereno para a enfrentar sem fastio. Às vezes mudava-se de lugar e de amigos, embora a conversa e as anedotas fossem talvez as mesmas, mas em cenário diverso. Não acredito que tivessem sido sempre isentas de vazios mais ou menos pesados, porque os vazios não são exclusivos do presente. Só que no passado tentavam preencher-se cara a cara com outros vazios, mais humanos e com um rosto que não se circunscrevesse a uma foto, por muita alma que essa foto pudesse ter. Era um convívio que nos deixava, apesar de tudo, mais saudáveis e muito menos solitários, quando o computador e a Net eram apenas uma miragem e o telemóvel estava ainda anos-luz de um uso tão generalizado que a mim me permite ter dois. À noite, as ruas da cidade não ficavam desertas, havia um café em cada esquina, menos do que os milhares de computadores de hoje em dia onde cada um se esconde, quantas vezes numa solidão altaneira.
             Hoje em dia, a noite na cidade vive morta durante cinco dias, para ressuscitar no final da semana em sítios onde a palavra de ordem é o álcool, que a mesma gente dos vazios de sempre emborca sem conta na medida numa cultura de miséria: é o amor que não existe ou anda desencontrado, a vida em casa que é uma bodega, com muitos pais à turra e a massa constantemente, o emprego que ainda não surgiu ou que se perdeu nas fábricas fechadas ao ritmo de uma leucemia galopante e nos contratos a prazo ou a recibos verdes.
              Depois, são umas quantas almas martirizadas e remetidas para esta coisa invasiva da internet e para as ruas da cidade às sextas-feiras e sábados, onde o lixo e as garrafas vazias se tornaram a imagem do fim-de-semana, quando o sinónimo de diversão é o culto à bebedeira.
Foi o que eu vi numa das minhas últimas incursões pela noite. Muitos jovens a quem não se avizinha um futuro risonho e para quem o conceito de lúdico parece passar essencialmente pelo álcool. E isto deveria ser rapidamente alterado. Quando muito, se não houver um meio-termo entre os dois, preferiria que os mais novos dos nossos tempos ficassem na história como a Geração do Iogurte e não como Os 2,5 Decilitros de Álcool no Sangue.
              Enfim, é a minha reacção em cadeia de hoje, tempo em que os cafés fecham ao cair da tarde e a cidade fica vazia, porque velhos e novos se quedam atrás de um computador a encher os vazios possíveis. Uns até sexta-feira e outros de segunda a domingo.
               Foi o que saiu no último feriado do Corpo de Deus, suspenso por cinco ou seis anos, até as vacas do país voltarem a engordar. Ou, pelo menos, a terem alguma saúde, depois da loucura onde mergulharam nos últimos tempos. Que Portugal faça ao menos boa figura no Europeu e que se mude a capital do país para o Porto, onde haverá certamente menos corruptos por metro quadrado.
             Finalmente, também há os amigos da internet, alguns bem queridos, e um sítio fixe para se postarem umas coisas. Se não forem como as de Lobo Antunes paciência. Cada qual nasceu com os seus genes, mesmo que não tenha nascido com génio nenhum para as letras, ou mesmo que os parágrafos estejam todos desalinhados.  

Aveiro, 7 de Junho de 2012